Wilker Barreto denuncia abandono do novo Hemoam e alerta para falta de especialistas na rede estadual

O deputado estadual Wilker Barreto (Mobiliza) voltou a fazer duras críticas à gestão estadual durante seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), nesta terça-feira (9). Em um discurso incisivo, ele afirmou que a saúde pública do Estado vive um “colapso anunciado”, marcado pela falta de profissionais especializados, pela ausência de fiscalização técnica e pela paralisação injustificada do novo Hospital do Sangue do Hemoam — concluído, licenciado e com estrutura pronta, mas fechado há mais de um ano.

 

Barreto iniciou sua fala repercutindo as declarações da médica intensivista Dra. Ludhmila Hajjar, que criticou de forma contundente a conduta da equipe do Hospital Santa Júlia após a morte do menino Benício, de 6 anos, vítima de overdose de adrenalina. O deputado exibiu trechos da fala da médica para reforçar que o problema não é isolado e atinge também unidades públicas da rede estadual. Segundo ele, a análise de Ludhmila evidencia falhas graves de gestão e falta de rigor técnico que colocam vidas em risco diariamente.

 

“Um hospital sem médico especialista, sem farmacêutico clínico, sem supervisão adequada de enfermagem e sem auditoria permanente não economiza — ele ameaça vidas”, declarou Wilker, citando a médica. Ele destacou ainda a advertência de Ludhmila de que “emergência não é lugar para amadores”, afirmando que essa lógica precisa ser aplicada em todas as unidades de saúde do Amazonas.

 

O parlamentar também revelou ter enviado formalmente ao Conselho Federal de Medicina (CFM) o vídeo da especialista, relacionando-o ao depoimento do diretor clínico do Hospital 28 de Agosto, que, segundo Wilker, teria minimizado a necessidade de médicos com especialização específica em setores críticos como UTIs. “Nós vamos esperar outra tragédia acontecer para agir?”, questionou.

 

A acusação mais grave, porém, foi direcionada à situação do novo Hospital do Sangue do Hemoam, que permanece fechado desde setembro de 2024. Segundo o deputado, a unidade, localizada em frente ao Centro de Convenções Vasco Vasques, está completamente concluída e possui autorização provisória já emitida para iniciar suas atividades. Durante fiscalização realizada na última sexta-feira, Wilker constatou que o prédio mantém estrutura preservada, com 190 leitos prontos e áreas de atendimento finalizadas.

 

Apesar disso, o Governo do Amazonas encaminhou à Assembleia a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 sem destinar qualquer recurso para a operação do Hemoam. De acordo com dados oficiais da Fundação Hemoam, seriam necessários R$ 163 milhões por ano — o equivalente a cerca de R$ 13 milhões por mês — para custear o funcionamento completo do hospital, incluindo equipe, manutenção e aquisição dos últimos equipamentos. O parlamentar comparou o valor ao orçamento geral do Estado, estimado em R$ 38 bilhões, e ao recente empréstimo de R$ 1,5 bilhão aprovado pela Casa.

 

“Estamos falando de um custo irrisório diante do orçamento estadual. Treze milhões por mês para colocar 190 leitos em funcionamento. É número oficial, do próprio Hemoam, não é achismo”, reforçou.

 

Wilker alertou que milhares de pacientes onco-hematológicos aguardam atendimento especializado e que a demora do governo coloca vidas em risco, além de expor a unidade recém-construída ao sucateamento precoce. Ele relatou que o prédio já apresenta sinais de deterioração e classificou a situação como “irracional” e “criminoso descaso”.

 

“É inaceitável ver um hospital dessa magnitude parado enquanto pacientes agonizam nas filas. Eu não acredito que o governador tenha conhecimento técnico disso — acho que ele é desinformado — mas, se souber e não agir, a situação é ainda mais grave”, afirmou.

 

O deputado concluiu dizendo que buscará a Liderança do Governo, a Casa Civil e a Secretaria de Governo para exigir explicações e cobrar a inclusão dos recursos necessários na LOA. Ele defendeu a possibilidade de apresentar emenda parlamentar ou emenda de relator caso o Executivo não corrija o que classificou como “erro moral, jurídico e social”.

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