UEA se pronuncia e instaura comissão disciplinar contra perseguição a aluno

UEA se pronuncia e instaura comissão disciplinar contra perseguição a aluno

Manaus  – Um grave episódio de intolerância política ocorrido nas dependências da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) resultou na abertura de uma investigação interna por parte da instituição. O caso, que ganhou repercussão após a divulgação de vídeos, envolve a denúncia de perseguição, intimidação em massa e suposta ameaça com arma branca contra um aluno de perfil conservador, atacado por um grupo de estudantes autodenominados de esquerda e antifascistas.

O estopim e as agressões

O conflito teve início após o estudante conservador retirar cartazes afixados na universidade que continham ofensas a um parlamentar de direita da capital amazonense. Em retaliação, um grupo de alunos passou a hostilizá-lo.

Em um vídeo gravado pela própria vítima, é possível ver o momento em que os manifestantes o encurralam e o perseguem pelos corredores e escadarias do campus até a área externa. Aos gritos uníssonos de “Recua, fascista, recua!”, o grupo o acusa de apoiar a ditadura militar e a privatização do ensino público. Durante a gravação, a vítima repete diversas vezes que acionaria a polícia.

A situação ganha contornos ainda mais graves com a denúncia, repercutida pelo vereador Coronel Rosses, de que um dos agressores estaria armado. Um vazamento de mensagens de WhatsApp entre estudantes corroboraria a suspeita, com uma usuária afirmando que a perseguição ocorreu com o uso de um “facão”.

Clima de medo e outros casos relatados

Prestes a concluir a graduação, a vítima optou por preservar sua identidade por temer ataques à sua integridade física e represálias contra sua família e residência. Segundo o estudante, as agressões causaram espanto até mesmo no corpo docente da universidade.

O aluno revelou ainda que a perseguição ideológica não é um caso isolado. Outros discentes de espectro político à direita estariam sofrendo retaliações severas. Ele citou o caso de um colega do curso de Geografia, chamado de “nazista” por compartilhar postagens do ex-presidente americano Donald Trump, e de um aluno de Economia que, após retirar um adesivo com a bandeira da Palestina e outro material contendo uma suástica sobre uma Estrela de Davi, foi “escorraçado” do campus. Este último estudante estaria sem frequentar as aulas desde março, temendo um atentado.

Risco de expulsão e medidas legais

O aluno perseguido já acionou a Polícia Militar, registrou um Boletim de Ocorrência e levou o caso formalmente à reitoria da UEA. O vereador Coronel Rosses afirmou que cobrará ações enérgicas da gestão da universidade e tem uma reunião prevista com a alta cúpula da instituição. O reitor, Prof. Dr. André Luiz Nunes Zogahib, ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso.

De acordo com o Regimento Interno da UEA, as atitudes registradas configuram infrações disciplinares gravíssimas. Os artigos 5º, 6º e 7º do documento preveem a exclusão (desligamento definitivo) de alunos que constranjam, exponham a perigo a vida de outrem ou utilizem violência e grave ameaça, especialmente com o emprego de armas. A punição administrativa não isenta os infratores de responderem civil e criminalmente.

O que diz a Universidade

Diante da gravidade dos fatos, a gestão superior da UEA emitiu uma nota oficial garantindo que o caso será apurado com rigor por meio de uma comissão sindicante, respeitando os trâmites do Direito Administrativo. Veja na íntegra:

Nota da UEA

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) informa que os fatos divulgados envolvendo estudantes da instituição serão devidamente apurados por meio da instauração de uma comissão sindicante, em conformidade com os procedimentos previstos no regimento interno e nos princípios do Direito Administrativo.

A gestão superior da UEA aguarda apenas a formalização do processo disciplinar para que todas as medidas cabíveis sejam adotadas dentro da legalidade, assegurando o amplo direito à defesa e ao contraditório, sem qualquer tipo de prejulgamento ou posicionamento político-partidário.

A UEA reforça que não toma partido de ideologias políticas, sejam elas de esquerda ou de direita. O compromisso da instituição é com a apuração responsável da conduta dos envolvidos, independentemente de posicionamentos ideológicos.

A universidade reafirma, ainda, seu papel como espaço plural, democrático e de livre manifestação de ideias, desde que sejam respeitados os direitos constitucionais, especialmente o direito à livre expressão, à integridade e ao livre trânsito de toda a comunidade acadêmica.

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