Trump elogia Lula e cita Brasil como exemplo de aproximação com os EUA em encontro com Milei

Em um gesto que surpreendeu analistas políticos e diplomatas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou ter tido uma “boa conversa” com o brasileiro. A declaração foi feita nesta segunda-feira (14), durante um encontro com o presidente da Argentina, Javier Milei, em Washington.

O encontro entre os dois líderes ocorreu enquanto Milei buscava apoio financeiro e um possível acordo comercial com os Estados Unidos. Durante o almoço, Trump destacou o papel da América do Sul nas estratégias econômicas de seu governo e afirmou que o continente “está se voltando para o lado dos Estados Unidos”.

“Se a Argentina for bem, outros vão seguir o exemplo. E muitos já estão seguindo”, disse Trump, antes de citar diretamente o Brasil como um dos países que se aproximam de Washington. “Tive uma conversa muito boa com o presidente Lula. Nós nos encontramos nas Nações Unidas, antes de eu subir para discursar.”

A referência chamou atenção por vir poucos dias após tensões diplomáticas entre os dois países. No início de outubro, os Estados Unidos anunciaram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e mantiveram sanções a autoridades ligadas ao governo de Jair Bolsonaro, o que havia irritado o Planalto.

Apesar disso, a relação parece ter mudado de tom desde o breve encontro entre Lula e Trump nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro. Posteriormente, no dia 6 de outubro, ambos conversaram por telefone durante cerca de 30 minutos. Segundo o governo brasileiro, o diálogo tratou de temas econômicos e comerciais, e Lula pediu que Washington revisse as tarifas impostas ao Brasil.

Trump, por sua vez, declarou à imprensa que pretende visitar o país em breve e classificou Lula como “um bom homem”. “Nós nos conhecemos, gostamos um do outro e tivemos uma ótima conversa. Vamos começar a fazer negócios”, afirmou.

Durante a conversa com Milei, Trump também voltou a criticar o grupo dos BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, dizendo que o bloco seria uma tentativa de “atacar o dólar”. Segundo ele, após a pressão dos Estados Unidos, “ninguém mais fala dos BRICS”.

“Disse que, se quisessem jogar esse jogo, colocaríamos tarifas sobre todos os produtos que entrassem nos Estados Unidos. Eles desistiram. Agora todos querem estar do nosso lado”, afirmou o presidente norte-americano.

O discurso reflete uma mudança estratégica da Casa Branca, que tenta reforçar sua influência na América do Sul em meio à expansão econômica da China na região. A presença de Milei ao lado de Trump, além do tom conciliador em relação ao Brasil, foi interpretada como um movimento de alinhamento político e comercial de governos considerados ideologicamente próximos de Washington.

A Casa Rosada confirmou que a visita de Milei aos Estados Unidos também servirá para discutir um pacote de ajuda econômica e novas parcerias comerciais. Já em Brasília, interlocutores de Lula afirmam que um encontro presencial entre os dois presidentes está sendo avaliado para as próximas semanas.

Se concretizado, o diálogo direto entre Trump e Lula poderá marcar uma reaproximação inédita entre Brasília e Washington desde o retorno do petista ao poder — e, ao mesmo tempo, redesenhar o papel do Brasil nas disputas geopolíticas do continente.

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