Amazonas – O cenário eleitoral do Amazonas para 2026 se torna cada vez mais intrigante, com eventos do passado que podem impactar as articulações políticas atuais. O senador Omar Aziz (PSD) foi à público nesta sexta-feira (3/4) para confirmar sua aliança com a deputada estadual Alessandra Campelo, que trocou o Podemos pelo PSD, criando assim uma “chapa pura”. Contudo, a deputada está ligada a um dos maiores escândalos de corrupção já vistos no estado, o que pode pesar em sua candidatura.
O Papel de Alessandra Campelo na Política do Amazonas
Atualmente, Campelo desempenha um papel estratégico na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). Ela faz parte de um grupo sólido, composto por 22 dos 24 deputados, que serve como uma barreira protetora em relação aos escândalos de corrupção que cercam a gestão do governador Wilson Lima (União Brasil). Acompanhada de perto por Roberto Cidade, presidente da Casa, a deputada consolidou-se como intermediária entre Wilson Lima e Omar Aziz. Essa colaboração já se estende há tempos, sobrevivendo a períodos em que questões policiais se entrelaçavam com a vida política do estado.
A História das Operações de Corrupção
Para compreender a complexidade dessa chapa, é importante revisitar setembro de 2015, quando ocorreu a Operação Custo Político, um desdobramento da infame Operação Maus Caminhos. Essas investigações revelaram um esquema que desviou mais de R$ 110 milhões destinados à saúde pública do Amazonas.
Na época, um dos episódios mais impactantes documentados pela Polícia Federal foi uma estadia em um hotel de luxo em Brasília, que contou com a presença da deputada Campelo e do ex-secretário de Fazenda, Afonso Lobo. O pagamento da conta foi feito pelo empresário Mouhamad Moustafa, considerado o operador responsável pelo esquema de desvio de verbas da saúde pública.
Desafios para as Eleições de 2026
Enquanto a saúde no estado se deteriorava, o dinheiro que deveria ser utilizado para suprir necessidades humanas foi investido em gastos excessivos e em manter o sistema de corrupção. Essa situação levou à prisão domiciliar de Afonso Lobo e a várias outras consequências legais, inclusive para o ex-governador José Melo.
Em 2026, com Alessandra Campelo sendo considerada para a vice de Omar Aziz, a história recente apresenta revelações sobre o entrelaçamento de interesses políticos. Sua associação com figuras sob investigação e seu papel como defensora do governo atual elevam questões sobre a integridade na política amazonense. Apesar de um novo discurso, o eleitorado deve estar ciente do passado para que sua decisão nas urnas reflita um verdadeiro desejo de mudança.

