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TBT da corrupção: Alessandra Campêlo e a CPI da Saúde travada

TBT da corrupção: Alessandra Campêlo e a CPI da Saúde travada

Manaus – O ano de 2020 foi um dos períodos mais sombrios na história da saúde no Amazonas. Enquanto a população enfrentava uma crise sem precedentes devido à pandemia de Covid-19, os bastidores da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) transformaram-se em um intenso campo de batalha política. Uma parte dos parlamentares se empenhou em proteger o governador Wilson Lima, alvo de graves denúncias de corrupção, incluindo o superfaturamento na compra de respiradores.

Neste contexto, a deputada Alessandra Campêlo liderou uma verdadeira “tropa de choque” do governo, articulando manobras regimentais e tentando barrar a instalação da CPI da Saúde. O esforço de blindagem culminou no arquivamento do processo de impeachment contra Lima, em meio ao colapso do sistema de saúde.

A Guerra de Atrito e a Judicialização

Em maio de 2020, a CPI da Saúde foi proposta para investigar contratos da Secretaria de Estado de Saúde, desencadeando uma reação imediata dos aliados de Lima. Campêlo recorreu ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), alegando violação da proporcionalidade partidária ao instalar a comissão.

A estratégia era clara: utilizar o rigor do Regimento Interno como uma ferramenta política para atrasar as investigações. O desembargador João Mauro Bessa concedeu uma liminar que suspendeu os trabalhos da CPI, dando um respiro ao Executivo no auge da crise. No entanto, a preocupação da deputada com a legalidade dos procedimentos logo foi posta à prova durante os embates no plenário.

O Embate e a Contradição

No dia 19 de maio, as tensões aumentaram. Alessandra tentou justificar sua ação judicial e atacou a imprensa, alegando que suas ações não buscavam “melar” a investigação, mas sim garantir que o regimento fosse seguido. Em uma resposta contundente, Josué Neto, presidente da Aleam, destacou que o rito utilizado para a CPI da Saúde era o mesmo que havia sido aprovado quando Campêlo presidiu a CPI dos Combustíveis.

A clara indignação regimental de Campêlo revelava-se seletiva, já que seu discurso contradizia seu próprio histórico na casa legislativa. Neto realçou que a comissão respeitava todos os grupos políticos, o que reforçou a percepção de que a deputada estava mais preocupada em proteger o governo do que em garantir a legalidade.

O “Puxadinho Jurídico” e o Andar do Processo Judicial

Consciente de que a liminar de Campêlo poderia travar indefinidamente os trabalhos da CPI, Josué Neto anulou a instalação original e publicou uma nova composição, desenredando o suposto problema legal. Como resultado, o mandado de segurança de Campêlo perdeu seu objeto, gerando tensão adicional.

A deputada, determinada a manter a paralisação, tentou modificar o processo judicial para barrar a nova versão da CPI. Em 1º de junho, o desembargador João Mauro Bessa extinguiu o processo e mandou uma mensagem clara a Campêlo, que sua estratégia de prolongar a paralisação era inadequada e contrária ao regimento.

Ainda assim, mesmo com a CPI retomada, a sua condução passou a focar quase que exclusivamente nas atividades da gestão de Wilson Lima. Embora o relatório inicial tivesse como escopo investigações desde 2011, as ações da oposição mantiverem-se centradas nos contratos emergenciais do governo atual.

Inúmeras especulações surgiram sobre a inclusão ou não do ex-governador Omar Aziz, com quem Campêlo mantém uma aliança próxima. Na prática, o relatório final da CPI omitiu Aziz, uma escolha estratégica para não desviar o foco das irregularidades sob a gestão de Lima, apesar dos levantamentos que abrangiam gastos anteriores. Essa decisão culminou em uma confrontação significativa em junho de 2021 durante a CPI da Pandemia no Senado, quando Fausto Junior, relator da CPI amazonense, fez referências pesadas a Aziz e sua família, envolvidos em questões de corrupção.

Apesar das graves acusações e do pedido de impeachment protocolado pelo Sindicato dos Médicos do Amazonas em agosto de 2020, a base governista conseguiu arquivar o processo por 12 votos a 6. Alessandra apoiou o arquivamento, desqualificando as denúncias como meras disputas políticas, ignorando o colapso da saúde público no estado.

O Voto da Blindagem:

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Ao defender seu voto, Campêlo qualificou as denúncias como uma manobra de opositores, mantendo-se leal ao governo. Essa lealdade, em meio a tantas críticas e acusações, não passou despercebida, levando a deputada a ser agraciada com o cargo de vice-líder do governo na Assembleia e a Secretaria de Estado da Assistência Social.

O legado da CPI da Saúde deixa claro que, em 2020, a proteção a interesses políticos acabou se sobrepondo à busca por transparência e justiça nas investigações do colapso da saúde pública no Amazonas.

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