O governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), sinalizou uma nova fase na relação do estado com o governo federal, com foco nos interesses locais acima dos conflitos políticos. Esta abordagem, que demonstra maturidade política, contrasta com a postura de seu antecessor, Wilson Lima. Durante uma conversa com o jornalista Neuton Corrêa, Cidade afirmou que estará presente para dar boas-vindas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que visitará o estado no dia 25 de maio.
O governador destacou que a sua prioridade é o Amazonas, reafirmando que não se deixaria levar pela polarização política. “Eu tenho juízo. A minha bandeira é o Amazonas. Trouxe recursos pra cá, eu tô do lado. Não quero saber de direita, de esquerda nesse negócio, não. Quero saber do nosso Estado”, afirmou Roberto Cidade, ressaltando seu compromisso com as necessidades do estado.
O Custo Político do Isolamento
A postura pragmática da atual administração lança um claro contraste com a estratégia do ex-governador Wilson Lima. Embora Lima tenha recebido Lula anteriormente, seu distanciamento nas agendas presidenciais após sua candidatura ao Senado limitou o diálogo e deixou um vácuo político. Ele passou a ser um aliado exclusivo de Jair Bolsonaro (PL), o que resultou em uma terceirização da recepção presidencial, pela gerência do então vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas).
O isolamento ideológico de Lima teve um custo significativo. Ao se distanciar de Brasília, ele abriu mão do protagonismo nas negociações em relação à pavimentação da BR-319 (Manaus-Porto Velho). Essa lacuna política foi rapidamente ocupada pelos senadores Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), que passaram a se apresentar como os principais responsáveis pela obra, que agora está em andamento.
Pragmatismo e Oportunidade para o Amazonas
Para o governo atual, evitar o diálogo com Brasília não é uma estratégia viável, especialmente considerando a dependência de investimentos federais. Para proteger o modelo da Zona Franca de Manaus (ZFM) e gerar novas oportunidades de infraestrutura, é essencial manter um canal aberto com o governo federal.
Roberto Cidade não hesitou em afirmar: “Não vou prejudicar o Amazonas por questão ideológica”. Ele garantiu que o governo estadual vai realizar “todo o movimento constitucional” para recepcionar o presidente da República de maneira adequada, reforçando a importância de restaurar as relações institucionais.
Exemplos de Diplomacia e Protagonismo Estadual
Na busca por um diálogo construtivo, o governador citou exemplos recentes de diplomacia eficaz, mencionando que ‘Trump não recebeu Lula? Então eu também vou manter essa relação aberta’. Essa comparação ilustra sua intenção de focar no que é melhor para o estado, independentemente das preferências pessoais ou partidárias.
O compromisso de Roberto Cidade com a prosperidade do Amazonas é evidente em sua disposição para dialogar e trabalhar em colaboração com o governo federal. Essa atitude também visa dinamizar o desenvolvimento do estado e garantir que as questões locais sejam devidamente representadas nas discussões em Brasília.
Construindo um Futuro Sustentável para o Amazonas
O pragmatismo adotado por Roberto Cidade não diz respeito apenas a questões ideológicas, mas também à necessidade urgente de solucionar problemas estruturais e de infraestrutura que afligem o Amazonas. Um dos maiores desafios a ser enfrentado é a melhoria das condições de transporte e logística, que são cruciais para o crescimento das atividades econômicas na região.
Além de buscar a pavimentação da BR-319, o governador também se empenha em outras áreas essenciais que são impactadas por decisões em nível federal. O acesso a recursos e investimentos é chave para o desenvolvimento da zona franca, e diálogos contínuos com Brasília serão vitais para conquistar esses objetivos.
Em resumo, a abordagem de Roberto Cidade parece promissora, parecendo sinalizar uma mudança em direção a um diálogo mais produtivo e colaborativo entre o estado do Amazonas e o governo federal, evidenciando que, apesar da polarização política, é possível estabelecer parcerias que atendam aos interesses de todos.

