Site icon Politica AM

Raio-X do desperdício: R$ 3,1 bilhões na gestão pública

Raio-X do desperdício: R$ 3,1 bilhões na gestão pública

Amazonas – Quando o então governador Wilson Lima decidiu abandonar o barco em abril de 2026, renunciando ao cargo para focar nas eleições, o roteiro do poder já estava meticulosamente traçado. Quem assumiu as chaves do cofre estadual não foi um salvador da pátria, mas Roberto Cidade, o homem que, nos cinco anos anteriores, transformou a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) no maior e mais caro balcão de negócios da história recente do estado.

Os números expõem um escárnio com o dinheiro do contribuinte amazonense. Sob a tutela de Cidade, eleito presidente da Casa em 2020 e reeleito sucessivamente até assumir o Governo do Estado, a Assembleia Legislativa empenhou a astronômica cifra de R$ 3,1 bilhões. Para se ter uma ideia do absurdo, esse valor representa 76,1% de tudo o que o Legislativo gastou em quase uma década. Em apenas cinco anos (2020 a 2025), a despesa anual da ALEAM saltou injustificáveis 68,1%.
Enquanto a população do Amazonas amargava crises na saúde, falta de infraestrutura e miséria, a gestão de Roberto Cidade abria as torneiras para o que há de mais supérfluo e questionável na política. Os dados dissecados do Sistema AFI/SEFAZ-AM são um tapa na cara da sociedade:
  • R$ 347,1 milhões foram torrados apenas em “Publicidade, promoção e serviços gráficos”. Uma verdadeira fortuna gasta para massagear o ego de parlamentares e maquiar uma gestão que sangrava os cofres públicos.
  • R$ 209,8 milhões viraram fumaça em “Locomoção terrestre e aérea”. Aluguéis de jatinhos, carros de luxo e viagens nababescas pagas por quem anda de ônibus lotado em Manaus.
  • R$ 103,4 milhões escoaram pelo ralo das “Verbas indenizatórias”, o famoso dinheiro de bolso sem fiscalização rigorosa que turbina os ganhos dos deputados.
E como se não bastasse, a contabilidade da era Cidade apresenta buracos negros que desafiam a lógica e a moralidade. Foram R$ 127,4 milhões em “despesas de exercícios anteriores” e absurdos R$ 250,8 milhões em “anulações de empenho” apenas entre 2024 e 2025. É uma engenharia financeira obscura que clama por uma investigação profunda.
O grande acordo por trás da fuga de Lima
A explosão orçamentária da ALEAM não foi um acidente de percurso; foi um investimento político com o dinheiro do povo. Ao engordar os privilégios, as verbas e os contratos, Roberto Cidade comprou a fidelidade e a gratidão de seus pares.
O resultado dessa “generosidade” com chapéu alheio ficou escancarado em 4 de maio de 2026. Após a renúncia orquestrada de Wilson Lima, que saiu pela porta dos fundos deixando um estado esburacado, Roberto Cidade foi efetivado governador em uma eleição indireta. E quem o elegeu? Os exatos 24 deputados estaduais que nadaram de braçada nos R$ 3,1 bilhões liberados por ele.
A matemática é simples, cínica e cruel. O aumento de 68% nos gastos da Assembleia serviu como uma pré-campanha financiada pelo contribuinte. Wilson Lima lavou as mãos e fugiu de seus fracassos, entregando de bandeja o estado nas mãos de Cidade.
Os defensores dessa manobra dirão que “os números, sozinhos, não provam irregularidade”. Mas a moralidade pública não se resume a carimbos burocráticos. O Amazonas foi transformado em um feudo onde o orçamento é sugado para garantir alianças, enquanto o cidadão comum paga a conta de uma festa para a qual nunca foi convidado.
Roberto Cidade não ascendeu ao governo pelo voto popular e pela vontade soberana das urnas. Ele ascendeu porque construiu, tijolo por tijolo, e nota de empenho por nota de empenho, uma máquina bilionária de poder dentro da ALEAM. Resta saber até quando o Amazonas suportará pagar a fatura dessa herança maldita deixada por Wilson Lima e agora perpetuada por Cidade.
Exit mobile version