A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) sobre propaganda eleitoral ilegal em Maués gerou um importante debate sobre o uso de bens públicos em campanhas. A prefeita Macelly Veras foi alvo de uma determinação que a obriga a remover um vídeo de suas redes sociais. O conteúdo promovia a candidatura de Roberto Cidade ao governo do estado, além de seu vice, Serafim Corrêa. Essa situação levanta questões relevantes acerca da ética e legalidade nas campanhas eleitorais.
A determinação judicial e suas implicações
O juiz auxiliar da Propaganda do TRE-AM, Diogo Oliveira Nogueira Franco, atendeu a um pedido da Coligação “Força Amazonas” e emitiu uma ordem para que a prefeita excluísse o vídeo em até 24 horas. A medida não apenas afeta a campanha de Cidade, mas também instancia um debate sobre o que caracteriza propaganda eleitoral irregular utilizando bens públicos.
No vídeo em questão, que foi gravado em 18 de setembro de 2026, Macelly Veras divulga a chegada de novos equipamentos a um hospital municipal, enquanto usa uma camiseta com a frase “Maués é Roberto Cidade” e menciona o governador. Essa combinação de uma aparente ação administrativa com elementos de campanha eleitoral foi considerada pela Justiça como um uso irregular de estruturas públicas para promover candidaturas.
Os fundamentos da decisão
A fundamentação para a escolha da Justiça Eleitoral está clara na análise preliminar que foi realizada. O fato de a gravação ter ocorrido em uma área interna do Hospital Municipal aponta para a possibilidade de conotação eleitoral do ato administrativo. O uso de equipamentos públicos em favor de uma candidatura se configura, aos olhos da Justiça, como uma conduta vedada.
A decisão destaca que a presença de elementos explícitos de campanha, como o agradecimento nominal ao governador, serve para reforçar a ilegalidade do ato. Nesse sentido, o magistrado enfatizou a necessidade de uma separação entre ação pública e promoção eleitoral, especialmente em períodos de pleito.
Jurisprudência e a argumentação da coligação
A jurisprudência, conforme mencionado na defesa do juiz, indica que a simples promoção de obras públicas em perfis pessoais, mesmo que acompanhada de agradecimentos a políticos, não é considerada vedada, desde que respeitados alguns critérios. Isso foi o que ocorreu com outros vídeos que a coligação solicitou a remoção, mas que foram mantidos pelo magistrado, uma vez que eram produzidos em locais públicos.
A Justiça não encontrou elementos suficientes que demonstrassem o uso privilegiado da estrutura estatal, o que resultou na negativa do pedido de retirada de outros conteúdos. Essa distinção é essencial para manter a integridade das campanhas e evitar que bens públicos sejam utilizados de maneira inadequada.
Desafios e perspectivas com a decisão
Essa decisão do TRE-AM representa um marco importante em termos de regulamentação da propaganda eleitoral. Marca também um alerta para prefeitos e candidatos sobre os limites do que pode ser feito durante as campanhas eleitorais. Macelly Veras e outros representantes devem ser cautelosos ao abordar temas relacionados a sua administração frente ao eleitorado.
Neste contexto, cabe aos candidatos buscar formas legítimas e éticas de comunicação com os eleitores. A manutenção das relações públicas, sem cruzar limites, é vital para garantir a legitimidade do processo eleitoral. Com a proximidade das eleições, a análise cuidadosa dos conteúdos que serão divulgados se torna um ponto crucial, assegurando que estejam dentro das normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Conclusão e reflexões sobre ética eleitoral
A medida que determina a remoção do vídeo pela prefeita Macelly Veras evidencia a importância da ética em campanhas eleitorais. A utilização de bens públicos para favorecer candidatos deve ser monitorada e regulada para preservar a integridade do processo democrático.
À medida que as eleições se aproximam, fica evidente a necessidade de um debate contínuo sobre as práticas eleitorais. O comprometimento com a transparência e a legitimidade nas campanhas cria um ambiente mais saudável para a democracia, beneficiando tanto os candidatos quanto os eleitores.

