A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada neste sábado (22) a pedido da Polícia Federal e autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), provocou forte reação entre lideranças políticas de Minas Gerais. Governador, senadores e deputados estaduais e federais se manifestaram nas redes sociais, expondo a divisão entre aliados e críticos do ex-presidente.
Embora a medida não tenha relação direta com a condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, sua detenção ocorreu, segundo a PF, para garantir a ordem pública diante de sucessivas violações de medidas cautelares impostas anteriormente.
Zema critica decisão e fala em “revanchismo”
O governador Romeu Zema (Novo) foi uma das vozes mais contundentes contra a prisão. Em tom de forte crítica, classificou a decisão como “arbitrária” e afirmou que o ex-presidente, aos 70 anos, já estava “isolado e vigiado 24 horas por dia”, não representando risco real à sociedade. Para ele, a prisão preventiva equivaleria a um ato de motivação política.
“Isso não é justiça. É revanchismo político. E o Brasil não precisa disso”, escreveu Zema, destacando que a medida seria uma tentativa de silenciar a oposição.
O governador também denunciou o que considera abuso de poder e reforçou seu apoio a Bolsonaro, ecoando críticas de setores conservadores à atuação do STF.
Cleitinho diz que prisão é desproporcional e cobra aliados
Outra reação veemente veio do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que publicou um vídeo questionando a decisão judicial. Ele classificou a prisão como desproporcional, alegando que Bolsonaro é monitorado pela PF em tempo integral e que sua saúde estaria fragilizada.
O senador cobrou posicionamento dos políticos que foram eleitos com apoio do ex-presidente e defendeu, novamente, que o Congresso avance com uma proposta de anistia para réus e condenados relacionados a atos golpistas.
“Nós não vamos parar de lutar, não vamos desistir”, disse Cleitinho.
Carlos Viana fala em “processo justo”; Pacheco se mantém em silêncio
O senador Carlos Viana (Podemos) divulgou nota manifestando solidariedade ao ex-presidente e à sua família. Ele afirmou que qualquer cidadão tem direito a um processo transparente e livre de exageros, e destacou a necessidade de evitar confrontos institucionais.
“É hora de equilíbrio e responsabilidade. O Brasil exige segurança jurídica”, escreveu o parlamentar.
Já o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), preferiu não comentar o assunto até a última atualização da reportagem, mantendo postura de cautela.
Deputados mineiros também se dividem
O deputado estadual Bruno Engler (PL), aliado fiel de Bolsonaro, ironizou a justificativa da prisão ao comentar a vigília de apoiadores organizada pelo ex-presidente, ignorando outras violações destacadas por Alexandre de Moraes na decisão.
“O quão endemoniado alguém precisa ser para ficar tão incomodado com uma vigília de oração?”, publicou Engler.
Do lado oposto, a deputada federal Duda Salabert (PDT) celebrou a decisão do STF, afirmando que a prisão é essencial para preservar as instituições democráticas. Ela demonstrou expectativa para que o ex-presidente permaneça detido.
“O Brasil espera que ele permaneça na cadeia!”, escreveu.
Clima político acirra polarização em Minas
As reações dos políticos mineiros evidenciam como a prisão de Bolsonaro reacende tensões no cenário político nacional. Enquanto aliados veem abuso e perseguição, parlamentares da oposição defendem a necessidade de resposta firme às tentativas de ruptura democrática. O episódio deve seguir repercutindo entre eleitorados locais e nacionais nas próximas semanas.