Manaus — O futuro e a competitividade do Polo Industrial de Manaus (PIM) dependem de uma reorganização territorial. Com a ausência de espaços adequados para a instalação de novas fábricas na capital, o governador Roberto Cidade ressaltou a importância de um diálogo aberto com o prefeito de Manaus, Renato Júnior. Essa conversa visa traçar uma estratégia conjunta que possibilite a ampliação do território da Zona Franca de Manaus (ZFM) e assegure novos investimentos na região.
A questão foi levantada durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam). A ocupação quase total das zonas industriais atuais representa um obstáculo que pode comprometer o crescimento econômico do estado. A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) estima que o Amazonas pode receber cerca de 200 novos projetos industriais nos próximos três anos. No entanto, para que essas intenções se realizem, é essencial que haja solo disponível e preparado.
“Nesta área da cidade de Manaus, não temos mais espaços de terra disponíveis. Estou à disposição para conversar com o prefeito Renato Júnior para que possamos ampliar esses espaços e atrair mais indústrias para o nosso estado”, afirmou Roberto Cidade durante a reunião.
Novas Fronteiras para a Indústria
Para evitar a saturação da malha urbana de Manaus, o Governo do Estado acredita que a expansão da rodovia AM-010, que conecta a capital ao município de Rio Preto da Eva, pode ser a solução ideal para o crescimento industrial. A proposta de desenvolver essa região, que já está sendo discutida entre o governador e o vice-governador Serafim Corrêa, poderia criar um novo polo logístico e produtivo, sem prejudicar as áreas já consolidadas da cidade.
Desafios e Divergências no Planejamento
A abertura de canal de diálogo por parte de Roberto Cidade surge em um momento crucial para melhorar as relações institucionais. Recentemente, houve um desentendimento entre o prefeito Renato Júnior e a Suframa quanto à questão da falta de terras para o PIM. No início de junho, o prefeito rebateu a autarquia federal, afirmando que a própria Suframa possui áreas estratégicas — como em Puraquequara, Colônia Antônio Aleixo e no ramal do Brasileirinho — que não foram devidamente preservadas e acabaram sendo ocupadas ao longo do tempo.
A Prefeitura defende que qualquer expansão das fronteiras urbanas e industriais deve ser fundamentada em estudos técnicos rigorosos que considerem a mobilidade, o trânsito e a infraestrutura, para evitar um colapso na cidade. Essa abordagem é fundamental para garantir um crescimento sustentável e harmonioso na região.
Importância da Sinergia entre Estado e Município
A harmonia entre o Estado e a Prefeitura será crucial para o futuro do Amazonas. O modelo da Zona Franca vai além da arrecadação de impostos: é o principal responsável pela geração de empregos na região e um instrumento reconhecido mundialmente por incentivar a preservação da floresta amazônica, apresentando uma alternativa econômica sólida à exploração predatória. Assim, o fortalecimento do diálogo entre os gestores é vital.
A expectativa agora é que as sinalizações do governador possam se transformar em ações concretas por meio de mesas de trabalho colaborativas, integrando Estado, Prefeitura, Suframa e o setor produtivo na criação de um ambiente propício e bem estruturado para o avanço da indústria amazonense nos próximos anos.
A criação de espaços adequados para a instalação de novas indústrias é uma condição sine qua non para garantir a competitividade do PIM. A falta de planejamento e articulação efetiva entre os órgãos públicos pode representar um retrocesso ao potencial econômico do Amazonas, além de gerar insegurança para novos investidores. Portanto, é imperativo que o governo local e os responsáveis pela ZFM iniciem um planejamento urbano que contemple o desenvolvimento sustentável.
A proposta da AM-010 como um novo eixo de crescimento industrial é um primeiro passo na direção certa. Além de aliviar a pressão sobre a malha urbana atual, essa estratégia também pode gerar novos postos de trabalho e fomentar a economia regional. Espera-se que esse planejamento comece a ser implementado rapidamente, beneficiando não apenas a indústria, mas toda a população de Manaus.
A articulação entre diferentes esferas de governo se torna um fator determinante para o sucesso das políticas de desenvolvimento econômico em Manaus. Os limites territoriais da ZFM precisam ser revistos, e os recursos disponíveis devem ser utilizados de forma eficiente e eficaz, evitando desperdícios. Isso requer um comprometimento firme de todos os envolvidos na discussão e na execução das novas propostas.

