Novo título Banco Central sustenta liquidação do Banco Master ao TCU e aponta novos indícios de fraude após intervenção

O Banco Central do Brasil apresentou ao Tribunal de Contas da União (TCU) uma defesa detalhada da decisão que resultou na liquidação extrajudicial do Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. O documento, encaminhado no dia 29 de dezembro de 2025, busca rebater questionamentos levantados pelo ministro Jhonatan de Jesus, que havia indicado possíveis sinais de precipitação na medida adotada em novembro.

Na resposta oficial, assinada pelos diretores Ailton de Aquino Santos, da área de Fiscalização, e Renato Gomes, responsável pela Reorganização do Sistema Financeiro, o Banco Central afirma que a intervenção foi técnica, necessária e baseada em um conjunto amplo de irregularidades que comprometeram a solvência da instituição e colocaram em risco o sistema financeiro nacional.

Entre os principais problemas identificados na gestão do Banco Master, o BC destacou atrasos recorrentes no envio de documentos contábeis e regulatórios, incapacidade de manter os recolhimentos compulsórios mínimos, esgotamento de carteiras de crédito capazes de gerar fluxo de caixa sustentável e falhas graves no gerenciamento de risco. Também foram apontadas operações estruturadas com grandes clientes corporativos que não apresentavam retorno financeiro relevante, contrariando princípios básicos de liquidez, garantia e diversificação.

Outro ponto sensível envolve a cessão de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). Segundo o Banco Central, parte desses ativos apresentava inconsistências, sendo considerados insubsistentes ou sem comprovação de existência, o que agravou a crise de confiança na instituição e reforçou a necessidade de uma ação mais contundente por parte do órgão regulador.

Além das irregularidades já conhecidas, o BC revelou ao TCU que, após a liquidação, surgiram novos indícios de práticas fraudulentas. Em comunicação enviada ao Ministério Público Federal no fim de novembro, a autarquia relatou suspeitas de gestão fraudulenta, operações simuladas sem lastro econômico e uso de mecanismos artificiais para dar aparência de legalidade a transações financeiras.

De acordo com a análise técnica, recursos do Banco Master teriam sido movimentados por meio de uma cadeia de fundos e empresas interpostas, mantendo a mesma origem e o mesmo beneficiário final. Esse modelo, segundo o BC, viola princípios de transparência e segregação fiduciária, podendo configurar crimes de natureza penal.

As novas suspeitas se somam às investigações já em andamento sobre uma suposta fraude bilionária, estimada em cerca de R$ 12 bilhões, relacionada à venda de carteiras de crédito ao BRB. O caso deu origem à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que resultou na prisão temporária de Daniel Vorcaro no mês de novembro.

Enquanto o TCU analisa a defesa apresentada pelo Banco Central, a crise envolvendo o Banco Master segue avançando em outras frentes. Nesta terça-feira (30), a Polícia Federal iniciou a colheita de depoimentos de Vorcaro, do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e do diretor do BC responsável pela fiscalização. As oitivas estão sendo realizadas de forma individual, com possibilidade de confronto posterior, caso surjam divergências relevantes.

O episódio reacendeu o debate no mercado financeiro sobre os limites da supervisão de instituições de médio porte e a autonomia do Banco Central em decisões de intervenção. Entidades representativas do setor bancário têm manifestado apoio à atuação da autarquia, alertando para riscos de insegurança jurídica caso decisões técnicas sejam revistas por instâncias externas.

A liquidação do Banco Master é considerada uma das maiores dos últimos anos e representa o maior acionamento recente do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com impacto estimado superior a R$ 40 bilhões. O processo segue sob sigilo em diferentes instâncias, incluindo investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal.

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