O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu oficialmente, nesta segunda-feira (10), em Belém (PA), a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), evento que reúne líderes de mais de 150 países. Em um discurso de tom político e emocional, Lula celebrou a realização da conferência no coração da Amazônia e defendeu uma resposta global mais firme à crise climática, afirmando ser necessário “impor uma nova derrota aos negacionistas”.
Diante de autoridades, cientistas e representantes da sociedade civil, Lula destacou a importância simbólica de sediar o evento na região amazônica — lar de cerca de 50 milhões de pessoas e mais de 400 povos indígenas. O presidente ressaltou que a escolha de Belém demonstra o compromisso do Brasil com a agenda ambiental e com a valorização dos povos da floresta.
“O impossível é não ter coragem para enfrentar desafios”, afirmou, ao elogiar o empenho do governo do Pará e de sua equipe federal na realização da conferência. Lula também fez menção à culinária paraense e ao acolhimento do povo local, em uma tentativa de aproximar o clima político do evento de um tom humano e regional.
Em seguida, o discurso ganhou tom global. O presidente lembrou que a primeira “Cúpula da Terra”, em 1992, no Rio de Janeiro, deu origem a conceitos-chave como o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade comum, porém diferenciada, entre as nações. Três décadas depois, disse Lula, a COP retorna à sua “terra natal” para reavivar o espírito de cooperação que marcou aquele momento.
O chefe de Estado brasileiro também fez referência aos recentes desastres climáticos, como o furacão Melissa no Caribe e o tornado no Paraná, classificando-os como exemplos da “tragédia do presente”. Ele alertou que, sem ação concreta, o planeta corre o risco de ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global — o que classificou como “um risco que não podemos correr”.
Lula propôs a criação de um Conselho do Clima, vinculado à Assembleia Geral da ONU, para dar mais força política às ações globais contra o aquecimento. E reforçou a necessidade de que os países ricos cumpram seus compromissos de financiamento climático, transferência de tecnologia e apoio à adaptação das nações em desenvolvimento.
O presidente também citou a Cúpula de Belém pelo Clima, evento preparatório que antecedeu a COP30, e que resultou no lançamento do Fundo de Florestas Tropicais para Sempre, com promessas de investimento de 5,5 bilhões de dólares. Ele ainda mencionou metas de combate ao desmatamento, ampliação de biocombustíveis e fortalecimento de direitos territoriais de comunidades tradicionais.
“A emergência climática é uma crise de desigualdade”, afirmou Lula, enfatizando que os efeitos da mudança do clima atingem de forma mais dura mulheres, populações negras, migrantes e grupos vulneráveis. O presidente encerrou a fala com uma citação ao líder indígena Davi Kopenawa, dizendo esperar que “a serenidade da floresta inspire em todos nós a clareza de pensamento necessária para ver o que precisa ser feito”.
Com a COP30, o governo brasileiro busca reforçar sua imagem internacional como liderança na agenda ambiental e recuperar protagonismo no debate climático, apostando no simbolismo da Amazônia como centro do diálogo global sobre o futuro do planeta.