Brasil – O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, defendeu com veemência a necessidade de os magistrados estarem fisicamente presentes nas comarcas para as quais foram designados, especialmente no interior do Brasil. Em palestra proferida na abertura da primeira sessão do Conselho Pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), realizada nesta segunda-feira (2), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) enfatizou que a proximidade com a realidade local é essencial para um Judiciário mais humano e eficaz.
“O magistrado precisa conhecer o ambiente em que exerce a jurisdição, entender a realidade local e as pessoas que dela fazem parte”, afirmou Campbell. Para ele, esse contato direto com a população contribui diretamente para decisões judiciais mais responsáveis e sensíveis ao contexto social de cada região. O corregedor argumentou que a ausência física dos juízes em suas comarcas pode comprometer a qualidade da prestação jurisdicional, distanciando o magistrado das peculiaridades culturais, econômicas e sociais das comunidades atendidas.
A fala do ministro ecoa sua própria trajetória profissional. Campbell citou sua experiência como promotor de Justiça no interior do Amazonas — onde atuou por três mandatos como procurador-geral de Justiça — como um elemento fundamental na formação de sua visão sobre a importância da presença efetiva. “Esse contato direto contribui para decisões mais responsáveis e sensíveis ao contexto social”, reiterou.
Durante o evento na OAB, o corregedor também destacou a relevância do diálogo institucional entre os poderes e entidades do sistema de Justiça. Ele defendeu um Judiciário pautado pela “decência administrativa” e pelo equilíbrio nas relações, inclusive com a advocacia. “O diálogo institucional é indispensável para o bom funcionamento do sistema de Justiça”, completou.