O ministro Luís Roberto Barroso anunciou nesta quinta-feira (9) sua aposentadoria do Supremo Tribunal Federal (STF) ao final da sessão da Corte. Com a voz embargada e pausando algumas vezes para se recompor, Barroso destacou que sua decisão marca o momento de seguir novos rumos, sem apego ao poder, e com planos de dedicar mais tempo à literatura e à poesia.
Barroso revelou que pretende lançar um livro de memórias e se aprofundar nos estudos, frisando que a decisão não possui qualquer relação com a conjuntura política atual. “Nada tem a ver com qualquer fato da conjuntura atual. Há cerca de dois anos, comuniquei o presidente da República dessa intenção”, declarou o ministro.
Nos últimos dois anos, Barroso presidiu o STF, encerrando recentemente seu mandato à frente da Corte e passando o comando ao ministro Edson Fachin. Pela legislação, poderia permanecer na Corte até 2033, quando completará 75 anos, idade limite do funcionalismo público.
Em seu discurso de despedida, Barroso afirmou não se arrepender das decisões tomadas ao longo de sua trajetória, destacando que todas as causas julgadas foram complexas e que procurou sempre agir da maneira correta. Ele também ressaltou a importância do STF como guardião da Constituição e lembrou dos ataques antidemocráticos enfrentados pelas instituições republicanas, reforçando que a história fará justiça ao trabalho da Corte.
“Com altivez, mas sem bravatas, cumprimos com honra o nosso destino. A história nos dará o crédito devido e merecido. Deixo o tribunal com o coração apertado, mas com a consciência tranquila de quem cumpriu a missão de sua vida. Fico feliz por deixar aqui amigos queridos e boas lembranças”, disse Barroso, encerrando sua fala com uma reflexão sobre a afetividade como uma das energias mais poderosas do universo.