Manaus — Trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente do Complexo Hospitalar Sul, que engloba o Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto e o Instituto da Mulher Dona Lindu, perderam o direito ao café da manhã fornecido nas unidades. A medida, imposta pela Organização Social de Saúde (OSS) Agir, entrou em vigor no dia 5 de março. O corte do benefício básico gera indignação, sobretudo por ocorrer sob a vigência de um contrato de terceirização assinado com o governo de Wilson Lima estimado em R$ 2 bilhões por um período de cinco anos.
O aviso da suspensão foi feito por meio de um comunicado interno assinado pela direção do Complexo, que traz estampados os logotipos da OSS Agir, da Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM) e do Governo do Amazonas.
Corte do café da manhã e seus impactos
No documento, a empresa goiana justifica o fim do desjejum alegando “responsabilidade na gestão dos recursos institucionais” e afirma que a decisão está alinhada à Cláusula Décima Quarta da Convenção Coletiva de Trabalho. Segundo a nota da direção, a convenção garante o fornecimento de refeição, mas “não havendo previsão de oferta adicional de café da manhã”.
Em um trecho que causou revolta entre os plantonistas, a organização informa que o refeitório continuará aberto das 6h às 8h da manhã, mas apenas como espaço físico para os “colaboradores que desejarem trazer sua alimentação” de casa.
Contraste milionário e crise trabalhista
A justificativa de adequação financeira para cortar o pão e o café dos trabalhadores choca frontalmente com as cifras do contrato firmado no final de 2024. A promessa do Governo do Estado ao entregar a gestão de duas das maiores unidades de saúde do Amazonas para a OSS era justamente de otimização de recursos, eficiência e melhoria nas condições de trabalho e atendimento.
No entanto, o corte na alimentação parece ser apenas a ponta do iceberg de uma crise trabalhista na nova gestão. Denúncias recentes, repercutidas em vídeos que circulam nas redes sociais e em discursos na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), apontam que o cenário é de precarização. Além de ficarem sem o café da manhã, profissionais de empresas terceirizadas que prestam serviço para a Agir estariam enfrentando atrasos no pagamento de salários.