O impasse em torno da permanência de Celso Sabino (União Brasil-PA) no Ministério do Turismo ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (3). Apesar de ter protocolado oficialmente um pedido de demissão e de declarar que deixaria o cargo até a quinta-feira (2), o ministro acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em compromissos em Belém, relacionados às obras de preparação para a COP30.
A indefinição ocorre em meio ao ultimato dado pela direção nacional do União Brasil, que determinou, no mês passado, que todos os filiados deveriam deixar os cargos no governo sob pena de sofrerem processo disciplinar por infidelidade partidária. A medida foi motivada após denúncias que associaram o presidente da sigla, Antonio de Rueda, a integrantes do PCC — ligações que ele nega.
Mesmo diante da pressão, Sabino procurou retardar sua saída, alegando que precisava concluir agendas estratégicas ligadas ao Turismo. Em Belém, ele participou de inaugurações e reiterou publicamente seu apoio a Lula, afirmando que estará ao lado do presidente “onde quer que esteja”, mesmo fora do ministério.
Nos bastidores, no entanto, o movimento tem gerado atrito com a cúpula do União. O ministro, que já articula uma eventual candidatura ao Senado em 2026 pelo Pará, conta com respaldo de setores do PT, como o presidente da legenda, Edinho Silva, que defende sua permanência e avalia que ele pode fortalecer a base lulista no estado.
O Planalto ainda não marcou data para oficializar a exoneração, e auxiliares de Sabino avaliam que a viagem ao Pará pode ser usada para alinhar uma solução entre Lula e o ministro. Caso descumpra a ordem do partido e permaneça no cargo, Sabino poderá enfrentar processo disciplinar que pode chegar à expulsão do União Brasil.
Além do Ministério do Turismo, a legenda ocupa as pastas do Desenvolvimento Regional e das Comunicações, mas nesses casos os ministros não são filiados ao partido, e sim indicados pela cota pessoal do senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Na agenda de quinta e sexta, Lula destacou a importância das obras para a COP30 e chegou a interagir com Sabino durante um evento, perguntando sobre o legado turístico que a conferência pode deixar ao Pará. O ministro respondeu que os investimentos em infraestrutura e hospedagem têm potencial de transformar Belém em um novo polo turístico internacional, reforçando que “uma cidade boa para os turistas deve, antes, ser boa para os seus moradores”.