Na manhã desta sexta-feira (4), em Manaus, a candidata ao Governo do Amazonas, Maria do Carmo (PL), esteve em frente à sede do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O objetivo foi exigir uma investigação autônoma sobre a apreensão de duas toneladas e meia de drogas no estado, que ocorreram em meio a uma operação policial. Essa operação apresentou materiais de campanha com a imagem de Maria do Carmo ao lado dos entorpecentes, o que gerou uma forte reação da postulante ao cargo majoritário.
Ação Política e Imagem Pessoal
Em uma coletiva de imprensa, Maria do Carmo foi enfática ao negar qualquer relação com os entorpecentes, classificando o episódio como uma manobra política destinada a denegrir sua imagem. “Nada. Não sei como o meu material pode ter parado ali, porque qualquer pessoa pode colocar. Certamente não fui eu. Não tenho nada a ver com isso”, explicou a candidata, ressaltando sua trajetória marcada por uma vida limpa. Ela ainda declarou que não tolerará ser colocada no “mesmo parâmetro de bandidos criminosos”.
Críticas à Gestão Atual
Maria do Carmo elevou o tom das críticas direcionadas à atual gestão do governador Roberto Cidade, bem como ao ex-governador Wilson Lima. Em sua defesa, ela relembrou escândalos passados envolvendo a segurança pública, como o caso conhecido como “QG do crime” em Parintins e a ligação de um secretário com o tráfico. “A gente sabe do rolo lá do abacaxi. Então, quem é metido com o crime não sou eu”, disparou, sublinhando sua indignação.
Denúncias de Espionagem
Além do fato que envolveu a apreensão de drogas, a candidata denunciou estar sendo vítima de espionagem e monitoramento ilegal por parte do aparato estatal. Na coletiva, citou nominalmente um suposto servidor da Secretaria de Inteligência, identificado como Francisco Aldemar Almeda de Assis, que estaria utilizando o sistema de interceptação “Guardião” próximo a sua residência. “Eles estão tratando a gente como eles são, porque são bandidos sim. Eu não tenho nada para esconder e não vou ficar calada para bandido”, afirmou.
Reações Jurídicas e Institucionais
O corpo jurídico da campanha, representado pelo advogado Sérgio, enfatizou que o incidente ocorre logo após a coligação “Mudar é Urgente” ter apresentado uma série de denúncias ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) sobre o uso da máquina pública em benefício do atual governador. A defesa também levantou questionamentos sobre o momento em que a operação policial foi deflagrada, além da origem de um “release padronizado” que foi distribuído à imprensa, sugerindo uma tentativa de forjar um vínculo entre o homem preso e a candidatura de Maria do Carmo.
Apesar de reafirmar sua confiança nas instituições, Maria do Carmo destacou que a Polícia Civil é comandada por um governador que participa ativamente da disputa eleitoral. A equipe jurídica confirmou que levará o caso tanto ao Ministério Público quanto ao TRE-AM, apresentando um pedido de declaração de inelegibilidade do governador e de aliados que supostamente estariam envolvidos no esquema. A situação levanta questões sérias sobre a ética e a legalidade nas disputas políticas no Amazonas, e a candidata afirma que não ficará em silêncio diante das injustiças.
A espera por esclarecimentos sobre as denúncias e a investigação autônoma permanece, enquanto Maria do Carmo se posiciona como uma voz contra a corrupção e a manipulação política. O cenário político do Amazonas promete ser conturbado, especialmente com o envolvimento de figuras proeminentes e as acusações de espionagem que adicionam uma nova camada à já complexa disputa eleitoral.

