Manaus – O cenário político no Amazonas está em ebulição, especialmente com a recente movimentação do Partido Liberal (PL) na disputa pelo governo tampão do Estado. Em uma estratégia que reformula as expectativas de uma candidatura própria, a pré-candidata Maria do Carmo sinalizou que a sigla não apresentará um nome para a eleição indireta na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Nos bastidores, a interpretação é clara: o PL está abrindo mão de seus votos, visando fortalecer a base do atual governador interino, Roberto Cidade, do União Brasil.
Em uma entrevista recente ao jornalista Jackson Nascimento, Maria do Carmo destacou que a decisão se dá pela percepção de “poucas chances diante de panoramas que se descortinaram por aí”. Ela enfatizou a importância de “respeitar as regras do jogo e lutar pela mudança”, refletindo sobre a inviabilidade da oposição isolada neste momento.
Com essa postura, os parlamentares do PL estão livres para se aliar a Roberto Cidade. O alinhamento já vinha sendo planejado: antes da renúncia de Wilson Lima, a base do PL esteve presente em peso em uma reunião com o ex-governador. Essa colaboração foi formalizada pelo presidente estadual do PL, Alfredo Nascimento, e a Federação União Progressista.
Os três deputados estaduais do PL — Débora Menezes, Cabo Maciel e Delegado Péricles — agora se somam à base de apoio que busca manter Cidade no cargo até o final do mandato atual.
Estratégia na eleição indireta
A dinâmica de uma eleição indireta entre os 24 deputados estaduais apresenta uma matemática simples e sedutora. Em um contexto hipotético com quatro candidatos, seriam necessários apenas sete votos para eleger o novo governador por maioria simples.
Garantir três votos da bancada do PL é um ativo político valioso. Ao invés de buscar mais quatro apoios para uma candidatura própria, o PL decidiu unir suas forças com o União Brasil. Essa aliança deve proporcionar a Roberto Cidade pelo menos 14 votos dos 24 disponíveis, formando uma ampla maioria e dificultando as chances da oposição.
Desafios da oposição
O principal objetivo dessa aliança entre a direita e o centrão é obstruir a eleição de um nome próximo ao senador Omar Aziz (PSD). Sem o apoio da direita, a oposição enfrenta sérios desafios para ganhar força.
Os nomes do campo progressista e aliados a Omar já estão se movimentando. Entre os possíveis candidatos estão o ex-deputado Eron Bezerra (PCdoB) e o ex-deputado Marcelo Ramos (PT), que já contaria com votos de correligionários, como do deputado estadual Sinésio Campos (PT). Contudo, interlocutores políticos avaliam que esse grupo adversário teria um teto de cerca de 9 votos. Com a unidade da base de Cidade, os 14 votos esperados fortaleceriam ainda mais a situação.
Próximos passos na Aleam
A eleição indireta é uma consequência das renúncias do governador Wilson Lima (União Brasil), que disputará o Senado, e do vice-governador Tadeu de Souza (PP), cotado para a Câmara dos Deputados. Segundo a Constituição do Estado, a eleição indireta deve ocorrer em até 30 dias.
Durante esse período, Roberto Cidade, que presidia a Aleam, assumiu a governança de forma interina, enquanto o deputado Adjuto Afonso (União Brasil) liderou a Casa Legislativa. As regras do processo serão debatidas em breve. Até lá, as manobras políticas devem definir o futuro do governo amazonense e potencialmente influenciar as Eleições Majoritárias de 2026 no Amazonas.