Manaus – O cenário político amazonense vive momentos de incerteza após uma série de declarações conflitantes entre o petista Marcelo Ramos e o senador Eduardo Braga (MDB). O embate público gira em torno da participação de Ramos nas eleições de 2026 e a existência de articulações que o incluiriam na coordenação da campanha nacional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O conflito de versões
A tensão escalou após o senador Eduardo Braga afirmar, em entrevista ao programa Em Alta, que Marcelo Ramos teria desistido da disputa eleitoral de 2026 por motivos “pessoais e familiares”. Segundo Braga, o petista teria comunicado a ele e ao senador Omar Aziz que focaria na coordenação nacional da campanha de Lula, o que pavimentaria o caminho para uma coligação com “candidato único” ao Senado pelo seu grupo político.
No entanto, Marcelo Ramos desmentiu categoricamente a versão de Braga. Em vídeo publicado em suas redes sociais e reforçado por uma postagem oficial nesta terça-feira (14), o ex-deputado foi enfático:
“Ninguém falou comigo, em momento algum, sobre coordenação da campanha do presidente Lula. Essa conversa não existiu”, afirmou Ramos.
“Maldade com o eleitor” e pressão interna
Em seu pronunciamento, Ramos revelou que a Direção Nacional do PT o pressionou para que abdicasse da candidatura ao Senado em prol de uma candidatura a deputado federal. A justificativa seria evitar que sua postulação atrapalhasse a reeleição de Braga e garantisse o quociente eleitoral necessário para fortalecer a bancada do PT na Câmara.
Ramos criticou a manobra, classificando-a como uma “maldade com o eleitor”, e defendeu que, em um sistema de dois votos para o Senado, duas candidaturas do mesmo campo político seriam complementares, e não excludentes.
Indefinição sobre o futuro político
Apesar de ter admitido sentir um “profundo sentimento de frustração e indignação” com a condução do processo pela cúpula do seu partido, Ramos não cravou seu destino político. O petista afirmou que está em fase de reflexão, ouvindo sua família, amigos e a militância local antes de tomar uma decisão definitiva.
Enquanto Eduardo Braga prepara o terreno para a convenção do MDB, PSD e Republicanos, marcada para o dia 25 de julho, o PT no Amazonas segue em um momento de turbulência. Sem edital publicado e sob forte pressão interna, a legenda enfrenta dificuldades para definir se seguirá com uma candidatura própria ao Senado ou se cederá às costuras políticas de aliados nacionais.
Ramos encerrou suas manifestações pedindo o apoio e a opinião de seus seguidores. “Preciso tomar uma decisão que esteja à altura da responsabilidade que tenho com o povo do Amazonas”, concluiu, mantendo em aberto seu futuro nas urnas.

