O Governo do Estado do Amazonas deu início a uma nova fase no sistema prisional militar com a desativação do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar. A ação, realizada no dia 12 de setembro, coincide com o oitavo dia da gestão do governador Roberto Cidade. Essa movimentação reflete um esforço maior em reformular e melhorar as condições de reclusão dos policiais militares que cumpriam pena no local.
O antigo núcleo, localizado no bairro Monte das Oliveiras, na Zona Norte de Manaus, foi palco de diversos problemas, incluindo uma fuga em massa que expôs fragilidades significativas na segurança interna da instituição. Agora, com a transferência de 70 policiais para a nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), situada na rodovia BR-174, o governo busca garantir um ambiente mais seguro e controlado.
Operação Sentinela Maior
A transferência dos custodiados foi organizada sob a denominação de Operação Sentinela Maior, mobilizando mais de 100 agentes de segurança, incluindo membros da Polícia Militar, Ministério Público e Secretaria de Estado de Administração Penitenciária. A operação teve como objetivo não apenas a transferência, mas também a desativação do local que, segundo a Seap, apresenta graves problemas estruturais.
Todo o processo foi marcado por momentos tensos, especialmente do lado de fora do presídio. Familiares dos detentos geraram protestos, formando cordões humanos para impedir a saída dos ônibus que estavam carregando os presos para a nova unidade. A situação exigiu a intervenção das tropas da Rocam e do Choque, que utilizaram spray de pimenta para dispersar as multidões e garantir a segurança da operação.
Melhorias Estruturais e Recomendações do MPAM
De acordo com os responsáveis pela operação, a mudança é uma medida administrativa que visa oferecer melhores condições de vida e segurança para os detentos. A nova unidade prisional foi instalada nas instalações da antiga Penitenciária Feminina de Manaus, próximo ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim, seguindo uma recomendação do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM).
Essas melhorias se tornam ainda mais urgentes considerando a relevância da segurança e a qualidade de vida para os custodiados. A antiga unidade do Monte das Oliveiras será desligada para passar por reformas significativas, enquanto a nova estrutura busca proporcionar menos riscos e um ambiente mais controlado.
Consequências da Fuga em Massa
A urgência na reestruturação do sistema carcerário militar se intensificou após uma fuga em massa de 23 policiais militares que ocorreu no dia 27 de fevereiro deste ano. O incidente levantou questões sérias sobre a eficácia do controle interno no antigo núcleo prisional. A falta de supervisão adequada levou a uma investigação que, posteriormente, resultou na “Operação Sentinela”, na qual vários policiais foram presos por facilitarem as fugas.
Além disso, a investigação teve implicações diretas para o alto comando da unidade, com a detenção do então diretor do Núcleo Prisional, major Galeno Edmilson de Souza Jales, que acabou sendo excluído da Polícia Militar. As ações tomadas refletem um comprometimento em restaurar a credibilidade e eficiência do sistema prisional militar no Amazonas.
Com a transferência dos 70 detentos e a desativação do núcleo antigo, o governo estadual agora espera retomar um controle rigoroso e assegurado sobre a segurança e a execução das penas dos policiais militares infratores. A implementação de estratégias de segurança mais eficazes poderá restaurar a confiança em um sistema que, há tempos, vinha apresentando problemas graves e necessidades urgentes de reforma.
Familiares dos detentos foram informados de que os pertences dos custodiados seriam entregues ao longo do dia, e o regime de visitas estará disponível a partir do próximo domingo, já nas novas instalações. Essas mudanças sinalizam uma nova etapa no sistema prisional militar do Amazonas, enfatizando a necessidade de melhorias contínuas e mudanças administrativas que garantam um ambiente de segurança e dignidade.