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Mais Dinheiro: Crítica à velha política e dívidas na saúde

Mais Dinheiro: Crítica à velha política e dívidas na saúde

A situação da saúde pública no Amazonas é uma questão de grande relevância. Durante um evento político realizado na noite desta quinta-feira (30), o governador Roberto Cidade fez declarações contundentes sobre os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Ele acusou adversários políticos de estarem empregando suas influências para bloquear repasses de recursos essenciais, comprometendo diretamente o atendimento à população.

Sem mencionar nomes, Cidade insinuou que certos grupos estavam obstaculizando a liberação de verbas federais, em uma ação que, segundo ele, prejudica mais o povo amazonense do que qualquer necessidade política pessoal. “Tem políticos que tentam atrapalhar. Para vocês terem ideia, nós temos cadastrado no Governo Federal mais de R$ 700 milhões que poderiam estar nas contas do SUS. Esse dinheiro faz muita falta, mas a velha política atrapalha, bota o dedo no sistema, usa sua força, não para prejudicar o governador Roberto Cidade ou o governador Wilson Lima, mas para prejudicar o povo”, disse o governador.

Esta crítica é irônica, considerando que Roberto Cidade, até recentemente, foi uma figura de destaque na estrutura que sustentou o governo anterior de Wilson Lima, durante sua presidência na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). A conexão estreita entre sua gestão e a administração passada levanta questões sobre a responsabilidade pela situação atual do sistema de saúde.

A Crítica da Velha Política

Na realidade, a crítica de Cidade à velha política parecia contraditória para muitos. Ele mesmo fez parte do sistema que criou desafios significativos na área da saúde, incluindo a contratação temporária de profissionais e a falta de contratos regulares para diversos serviços médicos. Em 2026, o estado contava com 6.414 profissionais temporários, e 94% deles já haviam ultrapassado o limite legal de dois anos para tal vínculo. Essa dependência de vínculos precários reflete uma estrutura frágil, que foi criada e mantida durante anos.

Ademais, o Amazonas começou 2026 com quase R$ 1 bilhão em obrigações de exercícios anteriores na saúde, um indicador claro de que as dificuldades financeiras existem desde antes da chegada de Cidade ao cargo. Esse contexto representa não apenas um legado negativo, mas desafia a habilidade do novo governador em modificar a trajetória da saúde pública.

Promessas e Desafios do Novo Governo

Durante o mesmo evento, Cidade afirmou seu desejo de continuar no comando do estado por mais quatro anos. Ele declarou: “Não estou pedindo oportunidade por possíveis oito anos. Estou pedindo oportunidade para apenas quatro anos para fazer o melhor governo da história do estado do Amazonas.” Essa afirmação foi acompanhada de um apelo por um governo mais dinâmico e voltado ao futuro, em contraste com o que ele rotulou de programas da velha política.

Entretanto, a questão central persiste: será que realmente há uma nova abordagem em vista, ou estamos apenas testemunhando a continuidade de um modelo que já se provou ineficaz? As críticas devem ser acompanhadas de ações corretivas. Os dados disponíveis mostraram que, além de contratações temporárias, muitos serviços médicos foram pagos sem contratos formais, levando o estado a desembolsar R$ 221,4 milhões em pagamentos indenizatórios. Essa situação gera um ciclo vicioso que afeta não só os profissionais de saúde, mas também fornecedores e usuários do sistema de saúde pública.

O Futuro da Saúde no Amazonas

A transformação “prometida” por Cidade ainda precisa ser concretizada em ações palpáveis. O discurso que denuncia barreiras externas para a captação de recursos deve ser acompanhado por medidas internas que realmente reestruturem a gestão de saúde do Amazonas. A população tem direito a um sistema de saúde robusto e funcional, livre das amarras da política emergencial e da dependência de soluções temporárias.

Com o histórico recente de gestão, é compreensível que existam dúvidas sobre a capacidade do novo governo em reverter a situação. A saúde no Amazonas necessita de uma reforma significativa, com foco em estabilidade, transparência e um compromisso real com o bem-estar da população. Essa é a verdadeira medida pela qual o governo de Roberto Cidade será julgado.

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