O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta quinta-feira (20), a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A escolha abre oficialmente um novo capítulo da disputa política no Senado, já que o nome do indicado ainda precisa passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, depois, ser aprovado pelo plenário da Casa. Para assumir a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso — que antecipou sua aposentadoria — Messias precisará de ao menos 41 votos favoráveis.
A decisão de Lula reforça a aposta no perfil técnico e na relação de confiança construída ao longo de anos de atuação conjunta no Executivo. Messias, de 45 anos, é pernambucano e está à frente da Advocacia-Geral da União desde o início do terceiro mandato de Lula, em 2023. Sua presença no núcleo duro do governo começou ainda na equipe de transição, em 2022, quando já era apontado como um dos principais nomes jurídicos do futuro governo.
Servidor público desde 2007, ele acumulou funções estratégicas em diferentes órgãos, incluindo o Banco Central e o BNDES, construindo uma trajetória marcada pela atuação em áreas de regulação, assessoramento jurídico e articulação institucional. Dentro do governo, Messias é visto como um profissional de confiança, com trânsito entre ministros do PT e interlocutores próximos ao presidente — relação que remonta ao período do governo Dilma Rousseff, quando assumiu a Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência.
Formado em Direito pela UFPE em 2003, é mestre e doutor pela Universidade de Brasília (UnB). Aprovado como procurador da Fazenda Nacional em 2007, atuou na cobrança de dívidas fiscais da União e colaborou diretamente com ministérios como Educação e Ciência e Tecnologia entre 2011 e 2014. Já foi secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior, conselheiro fiscal do BNDES e procurador do Banco Central.
À frente da AGU desde 2023, consolidou protagonismo na representação jurídica do governo, especialmente em temas de grande impacto no STF. Agora, caso seja aprovado pelos senadores, Messias ingressará na mais alta Corte do país em um momento de debates intensos sobre limites institucionais, judicialização da política e reconfiguração do tribunal após mudanças recentes em sua composição.
A sabatina na CCJ deverá ocorrer nas próximas semanas, seguida da votação em plenário. Aliados do governo avaliam que o nome tem boa receptividade, mas a disputa política no Senado pode influenciar o ritmo e o tom da análise.