O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (20) a indicação do advogado-geral da União, Jorge Rodrigo Araújo Messias, de 45 anos, para assumir a vaga deixada no Supremo Tribunal Federal (STF) após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. A escolha confirma a expectativa de que Lula priorizaria um nome técnico, próximo ao governo e com trajetória consolidada no setor jurídico do Executivo.
Para assumir o cargo, Messias ainda precisará passar pela tradicional sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e, em seguida, obter pelo menos 41 votos no plenário. Só após a aprovação parlamentar o novo ministro poderá tomar posse no Supremo.
Quem é Jorge Messias
Natural de Pernambuco, Messias está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023, quando assumiu o comando da Advocacia-Geral da União (AGU). Antes mesmo da posse de Lula, já integrava a equipe de transição — um sinal de prestígio dentro da estrutura palaciana.
Considerado um nome de extrema confiança do presidente, Messias é visto como figura técnica, discreta e alinhada ao núcleo jurídico do governo. Ministros do PT e integrantes da ala mais próxima ao presidente defendiam sua indicação desde que Barroso anunciou a aposentadoria.
Principais pontos da trajetória
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AGU desde 2023: assumiu a chefia da instituição no início do atual governo;
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Servidor federal desde 2007, com passagens pelo Banco Central e pelo BNDES;
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Relação de longa data com Lula, fortalecida desde os governos petistas anteriores;
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Reconhecido por colegas pela postura reservada, técnica e por seu perfil de negociador.
Formação e carreira
Graduado em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2003, Messias concluiu mestrado (2018) e doutorado (2024) na Universidade de Brasília (UnB), com ênfase em temas de direito público.
Ingressou na AGU em 2007 como procurador da Fazenda Nacional, atuando diretamente na cobrança de dívidas fiscais. Ao longo da carreira, ocupou posições estratégicas no Executivo:
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Subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência (2015-2016) — cargo central no Palácio do Planalto;
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Secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior (2012-2014), no MEC;
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Consultor jurídico nos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação;
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Procurador do Banco Central (2006-2007);
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Conselheiro fiscal do BNDES (2016).
Atuação na transição e no governo Lula
Na transição de governo, em 2022, Messias integrou o grupo responsável por reorganizar a estrutura jurídica da administração federal. No comando da AGU, tem desempenhado papel chave na defesa de políticas públicas, nas ações envolvendo o STF e no assessoramento direto à Presidência.
A AGU também é peça fundamental na interlocução entre o governo e o Judiciário — função que deu ainda mais visibilidade à atuação de Messias e reforçou sua influência dentro do Planalto.
Indicação em meio à aposentadoria de Barroso
A indicação ocorre após Luís Roberto Barroso anunciar que deixaria o tribunal antes de completar 75 anos, idade-limite constitucional. A saída abriu uma nova vaga para Lula — sua terceira indicação ao STF desde 2023.
A expectativa agora se volta para a articulação política no Senado, onde Messias deverá buscar apoio para consolidar sua nomeação, num ambiente que inclui resistências dentro da própria base aliada.