Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump confirmaram publicamente a intenção de se encontrar neste domingo (26), durante a Cúpula da Asean, na Malásia. Embora a agenda ainda não tenha sido oficialmente divulgada, fontes diplomáticas brasileiras indicam que o encontro já é considerado certo nos bastidores, sinalizando a abertura para negociações sobre temas econômicos e geopolíticos de interesse de ambos os países.
O diálogo entre os dois líderes deve ocorrer por volta das 18h no horário local, correspondendo a 7h em Brasília. A escolha da Malásia, segundo o governo brasileiro, representa um “terreno neutro”, considerado estratégico para iniciar conversas sobre o aumento de 50% nas tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, principalmente sobre carne bovina e minério.
Trump foi o primeiro a comentar o encontro, afirmando que “vamos nos encontrar de novo” e sugerindo que poderia reduzir a tarifa “nas circunstâncias corretas”. Lula, por sua vez, declarou: “Espero que aconteça. Vim com disposição de encontrar solução. Tudo depende da conversa.” O presidente brasileiro ainda fez uma brincadeira ao mencionar seu aniversário de 80 anos, completado na segunda-feira (27), dizendo que “Trump pode comer um pedacinho de bolo no jantar da cúpula”.
Entre os temas esperados na conversa estão não apenas o alívio nas tarifas sobre carne e minério, mas também a abertura do mercado para etanol americano e discussões sobre regulamentação de big techs. Além disso, questões internacionais devem entrar na pauta, como a Lei Magnitsky, a situação na Venezuela e preparativos para a COP-30.
A urgência do diálogo se dá também pela pressão interna em ambos os países. No Brasil, setores produtivos e empresariais pressionam por soluções que aliviem o impacto das tarifas; nos Estados Unidos, a indústria e o comércio pressionam para encontrar alternativas de mercado e fortalecer negociações estratégicas.
Analistas internacionais apontam que a reunião, mesmo que breve, pode marcar um avanço significativo na aproximação entre Brasil e Estados Unidos, além de abrir espaço para ajustes comerciais que beneficiem ambos os lados, em um momento de instabilidade econômica global.