Lula diz que Brasil precisa se preparar militarmente para riscos

Lula diz que Brasil precisa se preparar militarmente para riscos

Brasil – Em encontro realizado no Palácio do Planalto com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que países em desenvolvimento reforcem suas capacidades de defesa. Durante a visita de Estado do líder sul-africano nesta segunda-feira (9), o chefe do Executivo brasileiro propôs uma atuação conjunta entre as duas nações para a produção militar e abordou a exploração de minerais críticos, além dos impactos econômicos dos conflitos globais.

Durante a cerimônia, Lula alertou para a vulnerabilidade territorial de nações que não investem adequadamente em segurança. Segundo o presidente, se o país não se preparar na questão de defesa, corre o risco de ser invadido a qualquer momento. Ele enfatizou que Brasil e África do Sul possuem necessidades estratégicas semelhantes e devem unir seus potenciais para construir e fabricar tecnologias em conjunto. A intenção, destacou Lula, é garantir autonomia para não precisar comprar equipamentos dos chamados “senhores das armas”.

Impactos do cenário geopolítico

O atual cenário geopolítico também foi pauta da reunião. Lula mencionou a alta no preço do petróleo decorrente dos ataques mútuos entre Israel e Irã contra plataformas estratégicas. O presidente observou que o conflito no Oriente Médio produz efeitos em cadeia no fornecimento global de energia, alimentos e insumos, atingindo de forma mais severa as populações vulneráveis, especialmente mulheres e crianças. Frente à escalada das tensões, ele reiterou a defesa por uma solução baseada no diálogo e na diplomacia.

Alinhamento em minerais críticos

Além da segurança, o encontro serviu para alinhar interesses em torno das reservas de minerais críticos e terras raras, recursos essenciais para a fabricação de veículos elétricos e para a própria indústria de defesa. Lula defendeu um levantamento concreto sobre as reservas sul-africanas para viabilizar parcerias com o Brasil, que detém a segunda maior reserva global desses minérios.

Estratégia de industrialização no Brasil

A estratégia do governo brasileiro para o setor baseia-se no multilateralismo, mantendo o país aberto a negociações e evitando acordos exclusivos com uma única nação. O objetivo principal do presidente, no entanto, é que o Brasil deixe de ser um mero exportador de matéria-prima bruta. A meta é garantir que o processamento e a industrialização desses minerais ocorram em território nacional, agregando valor interno à produção.

Rolar para cima