Amazonas – O prefeito Leôncio Tundis (PT-AM), do município de Urucurituba, está no centro de questionamentos após a publicação de um contrato que prevê o pagamento de mais de R$ 3,2 milhões por serviços de limpeza urbana. O documento, divulgado no Diário Oficial dos Municípios (DOM), é resultado do Pregão Eletrônico nº 001/2026 e levanta dúvidas sobre transparência, detalhamento e competitividade no processo.
De acordo com a publicação, a contratação prevê a execução de uma série de serviços, incluindo varrição de vias públicas, capinação, roçagem, pintura de meio-fio, poda de árvores, desobstrução de bocas de lobo e valas, além da manutenção de lixão e outras atividades correlatas. Todos esses serviços foram agrupados em um único item, sem discriminação individual de custos ou quantitativos.
Na prática, a forma como o contrato foi estruturado impede a identificação precisa de quanto será gasto em cada tipo de serviço. Especialistas em gestão pública apontam que esse tipo de modelagem reduz a transparência e dificulta o controle social, já que não há como acompanhar, de forma clara, a execução contratual.

Contrato milionário levanta suspeitas
Outro ponto crítico é a ausência de dados essenciais no documento. Não há informações sobre a quantidade de quilômetros de ruas que serão atendidos, o número de equipes envolvidas, a frequência dos serviços ou a estimativa de intervenções como podas e limpezas. Sem esses parâmetros, torna-se inviável avaliar se o valor contratado é compatível com a realidade do município ou se há indícios de sobrepreço.
Apesar do valor milionário, o processo não apresenta memória de cálculo que justifique os R$ 3,2 milhões. Não há detalhamento de despesas com mão de obra, combustível, equipamentos ou questões logística, itens fundamentais para a composição de custos em contratos desse tipo.
A ausência dessas informações reforça as dúvidas sobre a adequação do valor e a economicidade da contratação, especialmente em um município de pequeno porte.