Justiça Eleitoral suspende pesquisa da Veritá por inconsistências

Justiça Eleitoral suspende pesquisa da Veritá por inconsistências

Manaus – A Justiça Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) determinou, nesta quinta-feira (13), a suspensão imediata da divulgação de uma pesquisa do Instituto Veritá sobre a disputa pelo Governo do Estado. O levantamento apresentava números drasticamente diferentes de outros três institutos recentes e apontava um empate técnico irreal entre os candidatos Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL).

A decisão da juíza Anagali Marcon Bertazzo atendeu a uma representação da coligação “União pelo Amazonas” (PSB, Podemos, União Brasil e Progressistas) e estabeleceu uma multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento.

Motivos para a Suspensão da Pesquisa

O principal motivo para a suspensão foi a ausência de detalhamento territorial no arquivo de complementação entregue pelo instituto. A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exige a identificação adequada dos setores censitários e o número de entrevistados em cada um. No entanto, o Veritá utilizou de forma genérica a expressão “TODOS OS BAIRROS”.

Ao proferir a decisão, a magistrada ressaltou o risco provocado pela “continuidade da circulação pública de dados potencialmente incompatíveis com a realidade”, alertando para o efeito negativo que a acumulação desses números poderia causar na percepção do eleitorado amazonense.

Dados Divergentes e Omissão de Candidato

A pesquisa do Veritá foi a única a colocar Maria do Carmo praticamente empatada com Omar Aziz na liderança. Considerando os votos válidos, o instituto apresentou o seguinte cenário:

  • Omar Aziz (PSD): 32,8%
  • Maria do Carmo (PL): 32,7%
  • Roberto Cidade (União Brasil): 18,6%
  • David Almeida (Avante): 14,2%

Esse cenário colide frontalmente com os dados apurados pelas pesquisas Action, Projeta e DMP, divulgadas nas últimas semanas. Em nenhum desses três levantamentos Maria do Carmo apareceu colada em Omar Aziz. A diferença dela para o líder variou de 6 pontos (na Action) a impressionantes 15,6 pontos (na DMP).

Além das discrepâncias estatísticas (que superaram amplamente a margem de erro declarada de 3 pontos), o Veritá omitiu o nome e a foto de David Almeida no material gráfico divulgado nas redes sociais. Apesar de ter registrado 14,2% dos votos válidos, o ex-prefeito foi agrupado na categoria “outros”, junto a candidatos que pontuaram apenas 1,3% e 0,4%.

Reincidência de Irregularidades do Instituto Veritá

Esta é a segunda vez nestas eleições que o Instituto Veritá tem uma pesquisa suspensa no Amazonas. Em junho, o TRE-AM já havia barrado outro levantamento da mesma empresa, que também colocava Maria do Carmo na liderança. Naquela ocasião, a juíza Maria Auxiliadora dos Santos Benigno suspendeu a pesquisa após identificar irregularidades graves:

Divergência de datas: O relatório informava coletas a partir de 23 de abril, mas a base de dados só continha entrevistas a partir do dia 24. Clonagem de dados: Foram encontrados aproximadamente 380 pares consecutivos de registros com respostas idênticas em todos os 28 campos analisados, padrão que representava 62% da amostra e foi considerado incompatível com entrevistas independentes.

Sobre o Instituto e Seus Procedimentos

Sediado em Uberlândia (MG) e pertencente ao empresário Adriano Silvoni Rufino, o Instituto Veritá autofinanciou a pesquisa suspensa nesta quinta-feira ao custo declarado de R$ 93 mil. A modalidade de uso de recursos próprios desobriga a empresa de apresentar nota fiscal pelos serviços.

O instituto tem agora o prazo de dois dias para apresentar sua defesa à Justiça Eleitoral. Em seguida, o processo será encaminhado para manifestação do Ministério Público Eleitoral (MPE).

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