Isolado na ONU, Netanyahu rejeita Estado Palestino e promete manter ofensiva em Gaza

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, protagonizou nesta sexta-feira (26) um dos discursos mais tensos da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Sob protestos de rua e dentro do plenário, o líder israelense afirmou que “a guerra em Gaza ainda não terminou” e prometeu continuar os ataques até eliminar totalmente o Hamas. Em tom desafiador, rejeitou qualquer possibilidade de criação de um Estado Palestino, criticou a “onda de reconhecimentos” recentes por parte de países ocidentais e acusou a comunidade internacional de encorajar o terrorismo.

Antes mesmo de Netanyahu iniciar sua fala, a maioria das delegações deixou o plenário em sinal de repúdio, entre elas a do Brasil, cujos diplomatas vestiam o tradicional lenço palestino, o keffiyeh. Permaneceram apenas representantes de alguns aliados, como Estados Unidos, Reino Unido, França e Itália, além de uma delegação da União Europeia. Apesar do esvaziamento, convidados aplaudiram partes do discurso.

Em mais de 40 minutos de pronunciamento — bem acima do limite recomendado pela ONU —, Netanyahu exibiu um mapa do Oriente Médio, riscando regiões onde afirmou ter neutralizado ameaças no último ano, como o Hezbollah no Líbano e instalações militares no Irã e no Iêmen. Ele também fez referência a operações secretas, como o ataque contra pagers usados por membros do Hezbollah, e reiterou que Israel “incapacitou milhares de terroristas”.

Mesmo diante das denúncias de mais de 65 mil mortos em Gaza desde 2023, Netanyahu negou que o Exército israelense ataque civis ou provoque fome, culpando o Hamas pela situação. Com alto-falantes instalados em Gaza transmitindo seu discurso, ele se dirigiu a reféns em hebraico e prometeu resgatá-los.

O premiê também agradeceu ao ex-presidente Donald Trump pelo apoio a ações contra o Irã, exaltando o papel dos dois na contenção da ameaça nuclear iraniana. Enquanto falava, milhares de manifestantes protestavam contra ele nas ruas de Nova York.

Netanyahu encerrou sua participação reafirmando que continuará em guerra até “concluir o trabalho” em Gaza e acusou países que reconheceram a Palestina de cometer “insanidade”. A postura endurece o isolamento diplomático de Israel, cada vez mais pressionado por críticas e boicotes internacionais.

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