Brasil – O irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Eduardo Torres, saiu publicamente em defesa da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República e tentou reduzir a repercussão do desentendimento envolvendo os dois integrantes da família Bolsonaro.
Durante evento político ao lado de outros pré-candidatos, Eduardo afirmou que o episódio recente foi ampliado além do necessário e negou qualquer tentativa de enfraquecer o nome de Flávio dentro do grupo político.
Segundo ele, o desentendimento não teve relação com apoio eleitoral e se limitou a questões familiares. “O que aconteceu nesta semana nada mais foi do que alguns esclarecimentos”, declarou. Eduardo também reforçou que continuará defendendo a irmã diante de qualquer situação que considere desrespeitosa, mas destacou que isso não altera o apoio político ao senador.
Na fala, ele afirmou que o grupo segue alinhado em torno da pré-candidatura de Flávio e declarou que jamais houve boicote ou manifestação contrária ao nome do parlamentar. Eduardo também classificou o episódio como algo passageiro e comparou o conflito a desentendimentos comuns entre familiares.
Apoio contínuo de Eduardo Torres
A manifestação ocorre poucos dias após Michelle tornar público o desgaste com o enteado. Em vídeo divulgado na última semana, a ex-primeira-dama afirmou ter sido alvo de ataques recorrentes e relatou um episódio ocorrido no fim de 2025, durante uma ligação telefônica envolvendo articulações políticas do Partido Liberal.
Segundo Michelle, a conversa teria ocorrido em meio às discussões internas sobre estratégias eleitorais do partido, especialmente no Ceará. Ela declarou ter se sentido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio durante o diálogo, classificando o episódio como uma “punhalada”.
A ex-primeira-dama também afirmou que aliados do senador teriam promovido ataques contra sua imagem nas redes sociais e criticou o ambiente interno do grupo político.
Flávio Bolsonaro se manifesta
Após a repercussão, Flávio divulgou posicionamento afirmando que não teve intenção de ofender Michelle. O senador declarou que, caso ela tenha se sentido desrespeitada, lamentava o ocorrido e ressaltou reconhecer a importância da ex-primeira-dama para o partido e para o apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em meio ao desgaste familiar e político, Michelle anunciou nesta terça-feira (30) que deixará a presidência do PL Mulher. Em nota, informou que a decisão foi tomada após conversas com Jair Bolsonaro e comunicada ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
Segundo Michelle, o objetivo será dedicar-se integralmente aos cuidados com o marido e com a filha. Apesar da saída do comando do segmento feminino do partido, ela ainda mantém no radar uma possível candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
Impacto nas eleições futuras
O contexto atual envolvendo a família Bolsonaro, especialmente a disputa política de Flávio, reflete a complexidade das relações familiares no cenário político. O apoio de Eduardo é uma tentativa de restaurar a imagem do potencial candidato à presidência e reafirmar a solidariedade familiar em momentos de conflito. A dinâmica de apoio entre os membros da família também é crucial para a estratégia eleitoral que está se formando.
Por outro lado, as tensões e as declarações públicas de Michelle e Flávio podem impactar a percepção do eleitorado e as chances de ambos nas próximas eleições. O desgaste recente, embora minimizado por Eduardo, ainda coloca em xeque a estabilidade interna do grupo e a capacidade de unir as forças para uma campanha vitoriosa.
A escolha de Michelle em se afastar da presidência do PL Mulher pode ser vista como um movimento estratégico, permitindo que ela foque em seus papéis familiares enquanto avalia suas próximas etapas no campo político. Seu possível retorno como candidata ao Senado indica que, mesmo em meio a desavenças familiares, a política continua sendo uma prioridade.

