O Governo do Amazonas entra no mês de dezembro enfrentando um grave desequilíbrio financeiro, com uma dívida acumulada de R$ 93.133.179,79 referente a despesas já empenhadas, mas ainda não pagas. As informações constam na Programação de Desembolso em Ordem Cronológica divulgada pela Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) e escancaram o esgotamento do fôlego orçamentário da gestão Wilson Lima, mesmo após a adoção de medidas oficiais de contenção de gastos ao longo de 2025.
A lista de órgãos públicos que aguardam pagamento revela entraves significativos em setores essenciais do Estado. Entre os maiores valores pendentes estão a UGPE (R$ 16,1 milhões), a Secretaria de Comunicação (R$ 13,1 milhões), a SUSAM (R$ 6,9 milhões), a Agência de Desenvolvimento Sustentável (R$ 6,8 milhões), a Segurança Pública (R$ 5,7 milhões), a Casa Militar (R$ 3 milhões), a Polícia Militar (R$ 2,9 milhões) e a Universidade do Estado do Amazonas (R$ 2,7 milhões). A presença de dívidas elevadas justamente em pastas indispensáveis, como Saúde, Segurança e Educação, evidencia a profundidade da crise fiscal.
Mesmo com um decreto de austeridade em vigor desde o primeiro semestre — cujo objetivo era reduzir gastos, limitar novos empenhos e reorganizar prioridades — o governo não conseguiu frear o acúmulo de débitos. Ao contrário: a relação de pagamentos em atraso cresceu mês a mês, indicando que a estratégia da atual administração foi apenas adiar contas, empurrando compromissos financeiros para períodos posteriores e ampliando a pressão sobre o caixa estadual.
Entre os casos que mais chamam a atenção está o da Secretaria de Comunicação, que sozinha concentra mais de R$ 13 milhões em pendências — um volume superior ao registrado em áreas sensíveis como Saúde e Segurança Pública. Em um ano pré-eleitoral, especialistas apontam que o montante reforça questionamentos quanto às prioridades da gestão e à transparência no uso dos recursos públicos.
A situação se agrava com a proximidade do encerramento oficial do calendário de pagamentos, marcado para 15 de dezembro. Até lá, o governo precisa equilibrar as contas e quitar compromissos com fornecedores, prestadores de serviços e contratos contínuos, sob risco de paralisação de serviços essenciais. Economistas alertam que atrasos prolongados podem desencadear um efeito cascata, comprometendo desde atendimentos de saúde até atividades administrativas básicas.
Com o rombo fiscal exposto e o fluxo de caixa comprometido, a administração Wilson Lima encerra 2025 pressionada, deixando um cenário de instabilidade para a próxima gestão. O ano de 2026 já começa sob alerta, com a máquina pública sobrecarregada por dívidas, pagamentos represados e um ambiente econômico deteriorado. A atual situação reforça o diagnóstico de que o Estado perde capacidade de investimento e enfrenta dificuldades crescentes para manter o funcionamento pleno de suas estruturas essenciais.