Em uma análise recente, os gastos do Governo do Amazonas com publicidade e propaganda deram um salto significativo, apresentando um aumento expressivo de R$ 3,49 milhões em abril para R$ 30,08 milhões em maio de 2026. Esse aumento de aproximadamente 759% foi registrado em dados coletados do Sistema de Informações de Custos do Estado.
Esse período coincide com o início da gestão do governador Roberto Cidade, que assumiu o cargo após a saída do ex-governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza. Essa mudança na administração levantou questões sobre a prioridade de recursos do governo e a equidade entre os setores.
Aumento drástico em gastos publicitários
Os R$ 26,58 milhões adicionais nos gastos publicitários entre abril e maio demonstram um direcionamento claro de recursos para marketing e comunicação. Enquanto isso, as despesas com materiais hospitalares, laboratoriais e odontológicos caíram de R$ 916,6 mil para R$ 198,7 mil, refletindo uma redução significativa de cerca de 78,3%. Essa discrepância levanta preocupações sobre a alocação de investimentos essenciais, em especial na área da saúde, frente a um aumento tão expressivo em publicidade.
Comparação entre setores: publicidade versus saúde
Em maio, os gastos com publicidade superaram em cerca de 151 vezes as despesas relacionadas a materiais de saúde. Essa comparação é particularmente alarmante, visto que a saúde pública gera demandas prioritárias que não podem ser negligenciadas. No entanto, em junho, os gastos publicitários diminuíram para R$ 1,62 milhão, o que poderia sugerir uma correção na estratégia de gastos do governo.
Em nota, a administração estadual esclareceu que os R$ 30,08 milhões correspondem não apenas a campanhas do mês, mas incluem a liquidação de compromissos assumidos em exercícios anteriores. Tal declaração implica que a análise pode ser complexa e que os dados não retratam uma simples comparação de despesas isoladas.
Transparência e prestação de contas
No tocante à transparência, o governo enfatizou que comparar gastos de naturezas diferentes, como publicidade e aquisição de materiais hospitalares, exige cuidado. É essencial considerar os processos de empenho, liquidação e pagamento, que podem distorcer a percepção dos dados apresentados.
De fato, a análise dos números apresentados mostra apenas a movimentação contábil em cada período, sem elucidar quais campanhas foram pagas em maio ou quais unidades de saúde sofreram com a diminuição das despesas. Essas informações dependem de uma análise mais detalhada de contratos, notas de empenho, liquidações e ordens de pagamento associadas.
O aumento vertiginoso nos gastos com comunicação governamental sugere uma priorização de marketing, mas é crucial que essa estratégia não comprometa serviços essenciais à população, especialmente em tempos de necessidade como os vividos na saúde pública. Os cidadãos precisam de clareza sobre como os recursos estão sendo alocados e garantias de que suas prioridades estão sendo atendidas.
O governo deve considerar um equilíbrio mais saudável entre investimentos em publicidade e em serviços que afetam diretamente a qualidade de vida dos cidadãos. Para uma administração eficiente e responsável, a comunicação não deve ser o único foco, mas sim um complemento a um plano abrangente que aborde as necessidades mais urgentes da sociedade.
Concluindo, a questão levantada pelos recentes números é a sustentabilidade das escolhas orçamentárias do Governo do Amazonas. Os desafios de gestão em tempos de mudança exigem que haja também uma gestão financeira que priorize a saúde e o bem-estar da população, enxergando a comunicação como um meio, e não como um fim.