O fechamento do Elo7, em maio, tirou de uma hora para outra o principal canal de vendas de milhares de artesãos brasileiros e expôs uma fragilidade que raramente entra na pauta política: a dependência de pequenos empreendedores, muitos deles MEIs ou trabalhadores informais, em relação a plataformas privadas. Seis meses depois, uma das respostas veio do próprio setor, com o lançamento do Ponto Artesão, marketplace nacional de artesanato que permite abrir loja sem custo e cobra comissão de 5% sobre as vendas.
O que aconteceu com o Elo7
O conselho de administração da Enjoei, dona do Elo7 desde 2023, aprovou o encerramento da plataforma em 11 de maio de 2026. Em fato relevante, a empresa citou a forte expansão de grandes multinacionais do comércio eletrônico, o aumento do custo de aquisição de clientes e a queda de 39,5% na receita líquida no quarto trimestre de 2025, informou a Jovem Pan. O site deixou de aceitar pedidos no mesmo dia.
Vendedores relataram que foram pegos de surpresa e tiveram dificuldade para recuperar fotos, descrições e históricos de vendas, segundo o Times Brasil. Para quem vivia da renda do artesanato, a perda foi imediata.
Um problema de política econômica
O episódio mostra que o artesanato, setor que reúne sobretudo microempreendedores e famílias que produzem em casa, está exposto às decisões de poucas empresas. Programas de microcrédito, formalização via MEI e feiras de economia criativa ajudam, mas a venda on-line ficou concentrada em grandes marketplaces, com regras e taxas definidas unilateralmente.
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A alternativa que surgiu do mercado
O Ponto Artesão se apresenta como um local para os artesãos que perderam suas lojas com o fim do Elo7. A criação da loja é gratuita, não há mensalidade nem taxa de adesão, e a plataforma fica com 5% de cada venda concluída pelo site, conforme a página de taxas. Vendas fechadas diretamente pelo WhatsApp não pagam essa taxa.
| Item | Como funciona no Ponto Artesão |
|---|---|
| Criação da loja | Gratuita, sem mensalidade e sem taxa de adesão |
| Comissão | 5% sobre cada venda concluída pelo site |
| Pagamento | PIX e cartão, direto na conta Mercado Pago do artesão |
| Frete | Regras por região, estado, cidade ou faixa de CEP |
| Vendas pelo WhatsApp | Não pagam a taxa da plataforma |
| Catálogo | Produtos ilimitados, com variações e categorias |

Cada loja tem catálogo ilimitado, recebe por PIX e cartão via Mercado Pago, configura o próprio frete e também aparece na vitrine geral do marketplace. Para o pequeno produtor, o custo fixo zero reduz o risco de recomeçar.
O que fica para o poder público
A experiência do Elo7 deixa uma lição para parlamentares e gestores que discutem apoio ao empreendedorismo: além de crédito e qualificação, o artesão precisa de canais de venda diversificados. Incentivar o uso de mais de uma plataforma e capacitar os produtores para vender on-line são caminhos que reduzem a vulnerabilidade de quem depende do trabalho manual. Quem quiser conhecer o modelo pode criar uma loja no Ponto Artesão.
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Fontes: Ponto Artesão, Jovem Pan, Times Brasil