As apurações da Operação Carbono Oculto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público de São Paulo, trouxeram à tona novas evidências de como o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiu sua influência para setores estratégicos da economia. Documentos obtidos pelos investigadores mostram que Mauro Mattosinho, ex-piloto da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), recebeu ao menos R$ 58,3 mil em transferências realizadas pela BK Instituição de Pagamento S.A., conhecida como BK Bank, apontada como um dos principais mecanismos de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Os repasses ocorreram entre abril e agosto de 2024, período em que Mattosinho ainda atuava na TAP. Ele declarou à PF que seus salários formais variavam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, mas eram “complementados” com depósitos extras em sua conta pessoal, o que levantou suspeitas sobre a real origem dos recursos.
A empresa TAP, em nome da mãe do empresário Epaminondas Chenu Madeira, é apontada como fachada, tendo Epaminondas como verdadeiro controlador. Além dela, Madeira é sócio de outras companhias de táxi aéreo, como a ATL Airlines e a Aviação Alta, que, de acordo com o MP, estão ligadas ao Capri Fundo de Investimento em Participações, administrado por Rogério Garcia Peres. Peres, por sua vez, é considerado um dos articuladores do esquema de lavagem de dinheiro do PCC, utilizando fundos e instituições financeiras para mascarar os valores.
As investigações também apontam conexões com nomes conhecidos do submundo criminal, como Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”. Apesar das acusações, a Altinvest, ligada a Peres, negou qualquer envolvimento com atividades ilegais, sustentando que suas operações são regulares. Já a TAP declarou que não tinha conhecimento de possíveis crimes e que informações de clientes só podem ser divulgadas mediante ordem judicial.
O caso ganha contornos ainda mais sensíveis porque Mattosinho já foi testemunha em processos que citam figuras políticas de peso, como Ciro Nogueira e Antônio Rueda. As revelações ampliam os questionamentos sobre a extensão da infiltração do PCC em setores como o aéreo e o financeiro, além de levantarem suspeitas sobre potenciais aproximações com a política nacional.
Com novas quebras de sigilo bancário e fiscal previstas, a Polícia Federal e o MP devem aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pelo chamado “banco do PCC”, ampliando a rede de nomes e empresas sob investigação.