O perito e ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, foi conduzido por policiais até uma delegacia na Itália nesta quarta-feira (1º). O especialista vive no país europeu desde o início de 2025. Segundo o advogado de Tagliaferro, Eduardo Kuntz, a ação está relacionada a procedimentos ligados ao pedido de extradição enviado pelo governo brasileiro.
Fontes próximas ao caso informaram que Tagliaferro prestou depoimento ainda pela manhã e, até o início da tarde, permanecia em oitiva. A defesa confirmou que ele recebeu uma notificação de permanência domiciliar, o que impede que o perito deixe o município onde reside na Itália.
O pedido de extradição foi formalizado em agosto pelo Ministério das Relações Exteriores junto às autoridades italianas. A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Tagliaferro por supostos crimes cometidos enquanto integrava o gabinete de Moraes no TSE. Entre as acusações estão violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e possível envolvimento em uma tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Durante sua atuação no TSE, Tagliaferro exerceu o cargo de assessor-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, permanecendo no tribunal entre agosto de 2022 e julho de 2023. Nesse período, o ministro Alexandre de Moraes presidia a Corte e estava à frente de decisões sobre as eleições de 2022 e das investigações relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Até o fechamento desta reportagem, Eduardo Tagliaferro não havia se pronunciado publicamente sobre a condução à delegacia nem sobre o processo de extradição em andamento.