Uma complexa engenharia financeira revelada recentemente em um relatório de auditoria independente tem levantado preocupações sobre as práticas no Banco de Brasília (BRB). Este documento, assinado pelo escritório Machado Meyer e a Kroll, expõe como empresários atuaram como “laranjas” para facilitar a entrada de fundos na estrutura da instituição.
A complexidade das transações
A auditoria, que embasa um processo judicial do BRB, revela que essa estratégia foi desenvolvida para operar sob o radar de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central (Bacen). A defesa do banco aponta que houve um uso sistemático de “estruturas pulverizadas” e de pessoas interpostas, criando um cenário onde o capital poderia circular sem deixar rastros.
O fluxo do capital
De acordo com o relatório, duas etapas principais foram identificadas: a intermediação e a subscrição. Os empresários Adalberto Valadão Júnior e Leonardo Ávila receberam aproximadamente R$ 265 milhões, que foi utilizado para subscrever ações do BRB. Entretanto, segundo o documento, não houve verdadeira intenção de investimento por parte deles.
Implicações e defesas
A investigação sugere que a operação de julho de 2024 foi conduzida com a colaboração do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Apesar das evidências, tanto Valadão quanto Ávila negam qualquer irregularidade. Valadão afirma que as informações não refletem a realidade, enquanto Ávila considera a cessão de direitos de subscrição como “gratuita”.
Atualmente, o BRB busca indenizações relacionadas à compra de carteiras de crédito “podres” e o bloqueio das ações ligadas aos fundos. O esquema exposto pela auditoria é descrito como uma “engenharia de triangulação”, que visa elucidar as transações questionáveis envolvendo a instituição financeira.

