Neste sábado (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou seu discurso na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, para lançar duras críticas ao sistema multilateral vigente. Ao lado de importantes lideranças globais, o mandatário brasileiro defendeu uma reforma urgente nas instituições internacionais e condenou o que chamou de “irresponsabilidade de guerras que ninguém quer”.
Aliança Progressista e Mudança Global
O evento, lançado originalmente por Brasil e Espanha em 2024, reuniu nomes de peso da política atual para combater o extremismo e a polarização. Além de Lula e do anfitrião Pedro Sánchez (Espanha), participaram da cúpula:
- Claudia Sheinbaum (Presidente do México);
- Gustavo Petro (Presidente da Colômbia);
- Cyril Ramaphosa (Presidente da África do Sul);
- Gabriel Boric (Ex-presidente do Chile).
Nesse contexto, o petista optou por deixar de lado o roteiro preparado para discursar de improviso. Em sua fala, ele destacou que o problema central da geopolítica contemporânea não é apenas a democracia interna dos países, mas o enfraquecimento das instituições responsáveis por mediar conflitos globais.
Críticas ao Unilateralismo e à Governança Global
De acordo com o presidente brasileiro, a perda de força da Organização das Nações Unidas (ONU) abriu caminho para que grandes potências tomem decisões sem consulta prévia aos organismos multilaterais. Lula citou invasões e operações militares em locais como Iraque, Líbia, Ucrânia, Irã, Faixa de Gaza e Venezuela como exemplos de ações que ignoram a governança global.
“Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países. Os cinco membros do conselho de segurança da ONU devem se reunir para mudar o seu comportamento”, afirmou Lula.
Além disso, o presidente criticou a diplomacia via redes sociais, afirmando que o mundo não pode viver sob a constante ameaça de “um tweet de um presidente da república ameaçando o mundo e fazendo guerra”.
Impactos Econômicos e a Necessidade de Reformas
Um dos pontos altos do discurso foi a associação direta entre a escalada militar e o custo de vida das populações mais pobres. Nesse sentido, Lula exemplificou como decisões de potências afetam o cotidiano global: “O Trump invade o Irã e aumenta o feijão no Brasil, aumenta o milho no México, aumenta a gasolina no outro país. É o pobre que vai pagar a irresponsabilidade de guerras”, declarou, defendendo que recursos públicos deveriam ser redirecionados para o combate à fome e ao analfabetismo.
Por fim, o posicionamento de Lula em solo espanhol reforça a sintonia diplomática entre Brasília e Madri. O discurso ocorre em meio a avanços em acordos bilaterais estratégicos nas áreas de aviação, telecomunicações e minerais raros. Portanto, a passagem do presidente pela Europa consolida a imagem do Brasil como um articulador fundamental para um multilateralismo mais robusto e menos dependente de ações unilaterais.

