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Eleições 2026: PL Nacional impede aliança no Amazonas

Eleições 2026: PL Nacional impede aliança no Amazonas

Amazonas – O tabuleiro político do Amazonas sofreu uma reviravolta decisiva nesta quarta-feira (29). Em uma demonstração de força da ala ideológica e estratégica, a direção nacional do Partido Liberal (PL) vetou oficialmente a aliança com a Federação União Progressista (UP), sepultando as negociações que visavam unir o grupo do ex-governador Wilson Lima (UP) à legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com o veto, o PL reafirma a candidatura própria da empresária Maria do Carmo Seffair ao Governo do Estado, consolidando o que os bastidores chamam de “chapa puro-sangue”.

O Acordo que ruiu

Até então, as tratativas eram conduzidas no mais alto escalão por Antônio Rueda (presidente da UP) e Valdemar da Costa Neto (mandatário nacional do PL). O desenho previa uma composição robusta: o atual governador interino, Roberto Cidade (UP), encabeçaria a chapa ao Governo, tendo Maria do Carmo como vice. Para o Senado, a “super-chapa” contaria com o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) e o ex-governador Wilson Lima (UP).

Pressão sobre o PL no Amazonas

No plano regional, o acordo contava com o entusiasmo de Alfredo Nascimento, presidente do PL no Amazonas. Nascimento, que atualmente exerce influência sobre três órgãos do Governo do Estado, via na coalizão a segurança necessária para sua própria sobrevivência política e planos eleitorais. Entretanto, o pragmatismo de Valdemar da Costa Neto esbarrou na resistência interna liderada pelo vereador Sargento Salazar, hoje o nome de maior tração popular do PL no estado. Posicionado na oposição ferrenha ao atual governo, Salazar impôs um ultimato: caso a aliança com o grupo de Wilson Lima fosse oficializada, ele retiraria sua candidatura.

Ascensão de Maria do Carmo e foco em 2026

A desistência de Salazar — que levaria consigo o aliado Kidson Maia — colocou em xeque o quociente eleitoral do partido, inviabilizando a eleição de deputados federais e reduzindo drasticamente a bancada na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM). Diante do risco de esvaziamento das fileiras proporcionais, Brasília optou por ouvir a base. Além da pressão interna, o desempenho de Maria do Carmo Seffair nas pesquisas de intenção de voto foi determinante para a manutenção de sua cabeça de chapa. O PL Nacional enxerga no Amazonas a oportunidade real de eleger a governadora, um senador (Capitão Alberto Neto) e formar uma bancada expressiva de pelo menos dois federais e quatro estaduais.

Há também o fator Flávio Bolsonaro. Pré-candidato à Presidência da República, Flávio mantém uma postura de distanciamento em relação a Wilson Lima, cuja gestão enfrenta resistências no núcleo duro do bolsonarismo. O objetivo do PL é garantir um palanque “limpo” e alinhado ideologicamente para Flávio no Amazonas.

A decisão deixa Alfredo Nascimento em uma situação delicada. Ao ver a aliança naufragar, o cacique regional corre o risco de perder o controle das pastas estaduais que comanda, o que pode comprometer sua estrutura para disputar uma vaga na Câmara Federal. A expectativa é que Alfredo tente uma última investida junto à nacional nos próximos dias, mas o cenário é desfavorável, e o isolamento do grupo de Wilson Lima em relação aos liberais parece ser, agora, um caminho sem volta.

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