O marqueteiro e empresário Durango Duarte, figura historicamente alinhada ao senador Omar Aziz (PSD) e um dos principais articuladores de sua pré-campanha ao Governo do Amazonas, protagonizou um recuo público que repercutiu fortemente nos bastidores políticos do Estado. A mudança repentina em seu discurso — antes marcado por um otimismo inabalável — acendeu o alerta dentro do próprio grupo de Aziz e fortaleceu a percepção de que o projeto eleitoral do senador enfrenta um desgaste mais profundo do que seus aliados admitem.
Durante grande parte de 2024 e 2025, Durango insistiu que Omar Aziz venceria a disputa para governador ainda no primeiro turno. Em entrevistas, conversas de bastidores e reuniões estratégicas, ele afirmava que o senador teria desempenho “avassalador” no interior, superando 70% dos votos, e que bastaria atingir cerca de 35% em Manaus para encerrar a eleição já na primeira rodada. Esse discurso, repetido com convicção, ajudava a construir uma aura de favoritismo em torno do projeto.
No entanto, a entrevista concedida por Durango na quinta-feira (4) trouxe um tom completamente diferente. Pela primeira vez, ele admitiu a possibilidade de segundo turno e reconheceu que a disputa está mais aberta do que o previsto. “Na minha opinião, tem segundo turno com a decisão do grupo do David Almeida lançar candidato. O Omar vai para o segundo. Ele vai agora ver quem é o adversário dele, se é a Maria do Carmo ou o David Almeida”, declarou, abandonando de vez a narrativa de vitória antecipada.
O contraste entre o discurso antigo e a nova declaração não passou despercebido por analistas políticos. O recuo sinaliza que a ascensão de novos nomes — sobretudo a da professora Maria do Carmo, que emergiu como uma das candidaturas mais competitivas — abalou profundamente a estratégia desenhada pelo grupo de Aziz. Maria do Carmo, antes vista como coadjuvante, tornou-se um fator decisivo e já aparece como ameaça real ao favoritismo outrora proclamado.
Além disso, Durango tem evitado mencionar publicamente o peso das máquinas institucionais do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus. Caso ambos estejam alinhados em torno de David Almeida ou Tadeu de Souza, especialistas avaliam que as chances de Omar Aziz permanecer na disputa até o segundo turno diminuem ainda mais. Historicamente, a união entre governo e prefeitura tem sido decisiva em eleições estaduais, tornando arriscado tratar a corrida de 2026 como uma extensão da disputa municipal, como Durango tem sugerido.
Nos bastidores, cresce a percepção de que a rejeição de Omar tanto no interior quanto na capital se tornou um obstáculo maior do que o previsto. A virada discursiva do marqueteiro — de “vitória no primeiro turno” para “lugar garantido no segundo” — reforça a sensação de fragilidade. Para alguns observadores, o cenário é ainda mais duro: existe, de fato, a possibilidade concreta de Aziz não chegar ao segundo turno. O clima de incerteza já domina conversas internas e pressiona o grupo político do senador a recalibrar estratégias antes que seja tarde.