O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), atual secretário de Segurança Pública de São Paulo licenciado, anunciou que deixará definitivamente o governo paulista ainda em 2025 para reassumir sua cadeira na Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2026. A decisão, antecipada em quatro meses em relação ao prazo legal para candidatos ocupando cargos públicos, faz parte de uma estratégia eleitoral que o posiciona na disputa por uma das vagas ao Senado no próximo ano.
A confirmação foi feita em entrevista à GloboNews, na qual Derrite afirmou já ter um entendimento consolidado com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para sua saída. Ele contou que retomará temporariamente a Secretaria da Segurança Pública no dia 24, mas que a volta definitiva a Brasília pode ocorrer até mesmo antes do fim de 2025. O secretário destaca que o calendário eleitoral já mobiliza as atenções e que sua presença no Congresso será fundamental para acompanhar pautas estratégicas da segurança pública, especialmente diante da tramitação da PEC da Segurança lançada pelo governo Lula.
A movimentação de Derrite ocorre em paralelo à repercussão do Projeto de Lei Antifacções, aprovado na Câmara com 370 votos favoráveis e 110 contrários. O texto, relatado por ele, endurece penas, estabelece novos crimes, amplia poderes de investigação e cria regras específicas para líderes de organizações criminosas. O parlamentar reconhece que o projeto precisou de diversas versões até a aprovação, e afirma que as mudanças fizeram parte de um processo normal de aprimoramento legislativo. A proposta agora segue para o Senado, onde será relatada pelo senador Alessandro Vieira, que já sinalizou a intenção de revisar diversos pontos.
Segundo Derrite, sua atuação no PL antifacções aproximou ainda mais seu nome das discussões nacionais sobre segurança, reforçando a leitura de que ele deve disputar o Senado com apoio de lideranças de direita. O deputado afirma contar com o aval político de Jair Bolsonaro, de Tarcísio de Freitas, de Valdemar da Costa Neto e de Ciro Nogueira para construir sua candidatura majoritária em 2026. Ele destaca que, no campo conservador, o apoio de Bolsonaro é determinante para a viabilidade eleitoral.
Enquanto Derrite prepara seu retorno definitivo à Câmara, o governo paulista avalia substitutos para comandar a Secretaria da Segurança Pública. Entre os nomes cotados estão Osvaldo Nico Gonçalves, atual secretário-executivo da pasta, e Marcello Streifinger, secretário de Administração Penitenciária. A eventual mudança marca um novo rearranjo interno no governo Tarcísio, que ainda busca consolidar sua própria base para as eleições de 2026.
O PL antifacções seguiu em meio a tensões entre governo federal e oposição. O texto rejeitou tentativas de equiparar facções criminosas ao terrorismo, mas ampliou mecanismos de combate às organizações criminosas e trouxe novidades, como a inclusão do garimpo ilegal como agravante para crimes ligados a grupos armados. Apesar de críticas, principalmente pela ausência do termo “facções criminosas” na redação final, a proposta é considerada uma das mais robustas tentativas recentes de atualização da legislação penal sobre crime organizado no país.
A saída antecipada de Derrite evidencia a articulação cada vez mais intensa para o xadrez eleitoral de 2026, enquanto segurança pública permanece no centro das disputas políticas — tanto em São Paulo quanto no Congresso Nacional.