O candidato a deputado federal Delegado Costa e Silva gerou polêmica no PL do Amazonas ao questionar a desigualdade na distribuição de recursos do Fundo Eleitoral entre os candidatos da legenda. Em um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais, Costa e Silva revelou ter recebido apenas R$ 50 mil, enquanto o presidente do partido, Alfredo Nascimento, e o vereador Sargento Salazar teriam sido beneficiados com R$ 3 milhões cada um.
Veja vídeo:
Os dados do sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), corroboram as alegações de Costa e Silva. Alfredo Nascimento e Sargento Salazar figuram com R$ 3 milhões cada, enquanto candidatos como Coronel Rosses, Mika Sevalho e Paula Portela estão com R$ 200 mil individualmente. Isso significa que os valores recebidos por Alfredo e Salazar são quinze vezes superiores aos destinados a cada um dos três candidatos mencionados. O percentual de R$ 200 mil representa 6,67% do montante de R$ 3 milhões, um valor que se aproxima dos 7% alegados por Costa e Silva em sua gravação.
No entanto, até o momento da consulta, não havia prestação de contas disponíveis sobre o próprio Delegado Costa e Silva, o que impediu uma confirmação oficial dos R$ 50 mil mencionados por ele. Se o valor for corroborado, ele representaria apenas 1,67% do total destinado a Alfredo e Salazar, destacando uma discrepância de 60 vezes. As contas de outros candidatos, como Delegado Pablo, Dra. Patrícia Sicchar e Jean Batista, também não estavam disponíveis, o que ressalta a importância da atualização constante dos dados no TSE.
Uma Crítica ao Sistema de Distribuição
No vídeo, Costa e Silva, que se encontrava à margem do Rio Negro, decidiu “desestressar” antes de disparar críticas ao presidente estadual do PL. Ele acusou Alfredo Nascimento de destinar os R$ 3 milhões para sua própria candidatura e de também doar R$ 3 milhões a Sargento Salazar, reforçando a ideia de que esta tática seria parte de um plano para garantir uma segunda vaga para o partido na Câmara dos Deputados. Costa e Silva não hesitou em afirmar: “Alfredo está na ânsia de ser o segundo colocado a deputado federal pelo PL. Isso que o Alfredo Nascimento está fazendo é um verdadeiro absurdo dentro do partido.”
A diferença notável na distribuição dos recursos, por si só, não implica em irregularidades. Os partidos têm autonomia para definir suas estratégias eleitorais, desde que respeitem as normas da legislação eleitoral, que inclui regras de financiamento para candidaturas femininas e de minorias. No entanto, o critério de distribuição revela quais candidaturas são priorizadas pela direção partidária, gerando reações de insatisfação entre outros candidatos da mesma sigla.
Criticas ao Fundo Eleitoral e suas Consequências
Costa e Silva também se manifestou contra o uso de recursos públicos para financiar campanhas, criticando o Fundo Eleitoral. Para o candidato, tal mecanismo tende a acentuar as desigualdades entre os candidatos de um mesmo partido. “Se ele existe e os candidatos pequenos não utilizam, aí é que a distância fica ainda maior”, argumentou Costa e Silva, que também adiantou que outros candidatos partilham de sua insatisfação com a distribuição, mas preferem não manifestar publicamente suas queixas por dependerem da diretoria do partido para a obtenção de recursos.
Em um tom desafiador, Costa e Silva convidou Alfredo Nascimento a devolver os recursos à União e a investir em uma competição em condições equivalentes com os outros candidatos: “Vamos devolver para a União o nosso recurso e competir em igualdade de condições? Se você concordar, me ligue. Você tem meu telefone.” Essa provocação visa expor a disparidade existente, pedindo uma igualdade ao invés de um favorecimento.
Ligação Histórica com Lula
No encerramento do vídeo, Costa e Silva resolveu explorar uma conexão política ao relembrar imagens antigas em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elogia Alfredo Nascimento, que foi ministro dos Transportes durante os governos petistas. Ao exibir essas imagens, Costa e Silva se propôs a evidenciar a relação histórica de Nascimento com o PT, criando um contraponto ao contexto atual em que ele lidera a organização do PL no Amazonas.
O Portal e TV CM7 Brasil permanece à disposição de Alfredo Nascimento e da direção estadual do PL para que apresentem suas versões sobre as acusações feitas e esclareçam os critérios utilizados na distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral entre os candidatos.
Dados do Levantamento
| Candidato a deputado federal | Valor registrado |
|---|---|
| Alfredo Nascimento | R$ 3 milhões |
| Sargento Salazar | R$ 3 milhões |
| Coronel Rosses | R$ 200 mil |
| Mika Sevalho | R$ 200 mil |
| Paula Portela | R$ 200 mil |
| Delegado Costa e Silva | Sem prestação disponível |
| Delegado Pablo | Sem prestação disponível |
| Dra. Patrícia Sicchar | Sem prestação disponível |
| Jean Batista | Sem prestação disponível |