Amazonas – O Crea-AM enfrenta um rombo milionário que levanta dúvidas sobre sua saúde financeira. À medida que se aproxima a eleição da nova diretoria, profissionais do setor começam a se questionar sobre a administração da autarquia federal responsável por fiscalizar engenheiros, agrônomos e geólogos no estado.
Em documentos contábeis oficiais, é possível observar que o Crea-AM fechou o exercício de 2025 com um déficit financeiro alarmante de R$ 2.175.724,00. Este resultado expõe um desequilíbrio preocupante nas contas da instituição, que apresenta uma situação crítica. Com apenas R$ 1.275.055,64 em caixa, as dívidas e compromissos financeiros somam R$ 3.450.779,64, indicando que o conselho termina o ano devendo mais do que realmente possui.
As revelações não param por aí. O balanço financeiro também revela que o conselho gastou significativamente mais do que arrecadou ao longo do ano.
Receitas e Despesas do Crea-AM em 2025
Receita arrecadada: R$ 24.411.750,12
Gastos empenhados: R$ 26.738.125,48
O resultado gerou um déficit orçamentário de R$ 2.326.375,36. De fato, as despesas superaram a capacidade de arrecadação do conselho, criando um alerta sobre como uma entidade que deveria ser autossustentável conseguiu chegar a essa situação.
Outro ponto a ser destacado é o resultado patrimonial da instituição, que também apresenta números negativos.
Situação Patrimonial do Crea-AM
Variação Patrimonial Aumentativa: R$ 29.645.780,35
Variação Patrimonial Diminutiva: R$ 30.796.488,39
Déficit Patrimonial: R$ 1.150.708,04
Os dados sugerem uma perda patrimonial significativa durante o exercício de 2025, o que suscita um maior entendimento sobre as falhas que levaram o conselho a adotar um planejamento financeiro tão inadequado.
A insatisfação de profissionais da engenharia e da agronomia cresce à medida que surgem questionamentos sobre a gestão financeira da autarquia. O Crea-AM é principalmente sustentado pelas anuidades pagas por seus membros e pelas taxas de serviços técnicos, como ARTs, CATs e multas administrativas. A preocupação sobre como a instituição irá manter seus serviços e fiscalizações se intensifica com a revelação desse déficit.
A presidente licenciada do Crea-AM, Alzira Miranda, reconheceu publicamente o desequilíbrio financeiro. Em participação com a imprensa local no dia 5 de maio, fez a declaração: “Nossa receita não está superando a nossa despesa.” Esta afirmação apenas reforça os números do balanço contábil, que evidenciam um cenário de três resultados negativos: financeiro, orçamentário e patrimonial.
Falta de Transparência e Crescente Desconfiança
A ausência de esclarecimentos oficiais por parte do Crea-AM aumentou a preocupação e gerou pressão sobre a instituição, especialmente em um período pré-eleitoral. O engenheiro civil Fábio Dias, um dos profissionais registrados, expressou sua insatisfação, afirmando que um órgão responsável por uma arrecadação significativa deve prestar contas de forma transparente. “Um órgão que arrecada anuidades de milhares de profissionais tem obrigação de prestar contas com clareza. Déficit dessa magnitude não pode ser tratado como assunto interno”, enfatizou.
Consequências da Crise nas Eleições
A crise financeira já se estabeleceu como um tema central para as eleições que ocorrerão em julho. Com tanta desconfiança, muitos profissionais defendem uma auditoria detalhada nas contas da autarquia. Em vez de cumprir sua função primordial de fiscalização técnica e defesa da engenharia, o Crea-AM se vê obrigado a justificar como uma entidade que arrecada mais de R$ 24 milhões por ano se encontra em uma posição tão vulnerável.
Além da questão financeira, muitos veem isso como uma crise de credibilidade, não apenas em uma autarquia, mas dentro de uma instituição que deveria garantir a integridade da profissão no Amazonas. A situação atual coloca em evidência a fragilidade da gestão, deixando claro que mais do que um problema contábil, trata-se da confiança depositada pelos profissionais na autarquia.
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