Caso Master: delação de Vorcaro pode impactar investigações

Caso Master: delação de Vorcaro pode impactar investigações

Brasil – A defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, deu um passo decisivo em sua estratégia jurídica ao entregar, nesta terça-feira (5/5), uma proposta formal de delação premiada. O documento foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF), que agora se debruçam sobre a análise minuciosa do material.

A movimentação confirma a expectativa ventilada na última semana de que o executivo concluiria os termos do acordo até o início do mês de maio. Para que a colaboração seja homologada e gere benefícios legais, a legislação brasileira exige que o delator apresente um robusto conjunto probatório. A expectativa é que Vorcaro entregue documentos, registros audiovisuais, fotografias e gravações que sustentem de forma irrefutável todas as suas declarações.

Fato Inédito na Justiça Brasileira

Um detalhe de grande relevância neste processo é o ineditismo da tramitação. Trata-se da primeira vez na história do país em que as duas instituições — Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República — vão dividir a condução de um acordo de delação premiada.

Entenda o Caso

Daniel Vorcaro encontra-se em prisão preventiva desde o dia 4 de março. A prisão foi decretada no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que apura um suposto esquema de venda de carteiras de créditos fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

Efeito Dominó: a corrida de Paulo Henrique Costa

O avanço das investigações gerou um efeito em cadeia que também movimentou a defesa de outro personagem central do escândalo. Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, preso preventivamente desde 16 de abril, também atua contra o relógio para viabilizar o seu próprio acordo de delação premiada.

No último dia 28 de abril, Costa formalizou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), sua intenção de colaborar com a Justiça. Na mesma petição, o ex-presidente do BRB solicitou sua transferência do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, sob a justificativa de facilitar e acelerar as rodadas de negociação com a sua equipe de advogados.

O executivo foi detido sob a grave acusação de ter recebido R$ 146 milhões em propinas. Segundo as investigações, os repasses ilícitos teriam como contrapartida o favorecimento sistemático dos interesses do Banco Master em negociações milionárias com a instituição financeira brasiliense.

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