Carta de Yara Lins propõe pacto institucional para criar plano de arborização inteligente e enfrentar calor em Manaus

A crescente pressão climática sobre Manaus motivou uma nova iniciativa institucional voltada à sustentabilidade urbana. Em carta encaminhada ao prefeito David Almeida, a presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), conselheira Yara Amazônia Lins, apresentou uma proposta detalhada para a criação do Plano Municipal de Infraestrutura Verde e Arborização Inteligente, com foco no enfrentamento das ilhas de calor e na melhoria da qualidade de vida na capital.

O documento vai além da simples ampliação do plantio de árvores e defende que a arborização passe a ser tratada como infraestrutura estratégica, com o mesmo nível de prioridade dado a obras viárias, saneamento e transporte. Para isso, a proposta convoca uma articulação inédita entre a Prefeitura de Manaus, o Governo do Estado e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), reunindo diferentes esferas de gestão que impactam diretamente o território urbano.

Entre os principais pontos destacados está o conceito de “arborização inteligente”, que prevê o uso de tecnologias como sensores, inteligência artificial, mapeamento digital e ferramentas de análise de dados, incluindo sistemas de detecção a laser. O objetivo é criar um inventário permanente da arborização urbana, permitindo identificar riscos, planejar podas técnicas, evitar quedas de árvores e ampliar áreas de sombra em regiões de grande circulação.

A carta ressalta que políticas fragmentadas já não são suficientes diante do aumento das temperaturas e da vulnerabilidade climática, especialmente em bairros periféricos. Nesse contexto, Yara Lins propõe que a Suframa integre as áreas do Distrito Industrial ao cinturão verde da cidade, enquanto o Governo do Estado contribua com ações em parques estaduais urbanos e na gestão de recursos hídricos. À Prefeitura caberia a execução direta das ações, a atualização do Plano Diretor e a coordenação do cotidiano urbano.

Um dos trechos mais simbólicos do documento faz referência à lógica do “mutirão”, inspirada nos povos originários da Amazônia, como metáfora para a cooperação institucional necessária para enfrentar desafios climáticos complexos. A proposta prevê metas ambiciosas, como o plantio de até 100 mil árvores por ano, priorizando espécies nativas de copa larga, capazes de reduzir o estresse térmico e gerar impactos positivos na saúde pública a médio prazo.

Como encaminhamento prático, a conselheira sugere a criação de um Grupo de Trabalho interinstitucional em até 90 dias, responsável por iniciar um projeto-piloto de inventário digital da arborização e pelo planejamento de corredores verdes e rotas de sombra. O texto destaca que a iniciativa respeita a autonomia do Executivo municipal e tem caráter colaborativo, colocando o TCE-AM à disposição para contribuir tecnicamente com o diálogo entre os entes envolvidos.

Para Yara Lins, a adoção do plano pode reposicionar Manaus como referência nacional e internacional em gestão climática urbana, unindo ciência, tecnologia, participação social e planejamento público em uma agenda ambiental contínua e estruturada.

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