"Bancada da bala toda em silêncio: crise moral no PL-AM"

“Bancada da bala toda em silêncio: crise moral no PL-AM”

Manaus – A política amazonense vivenciou uma reviravolta nesta semana, expondo contradições no discurso de “moralidade e bons costumes” do Partido Liberal no Amazonas (PL-AM). Maria do Carmo, que recentemente atacou o prefeito de Manaus, David Almeida, associando-o ao crime organizado, agora vê seu núcleo político no centro de um escândalo policial avaliado em milhões.

O silêncio da ala mais rígida do partido, a “bancada da bala”, contrasta com registros que revelam a estreita relação de seus membros com Anderson Ricardo Lima dos Santos, o “Pastor Anderson Bandeira”. Ele é o alvo principal da Operação Negócio Turvo, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) e acusado de liderar um esquema de pirâmide financeira que causou um prejuízo de R$ 75 milhões.

O “Pastor” Foragido e a Conexão Política

Com um perfil religioso nas redes sociais e o lema “Eu vi o futuro e decidi viver nele”, Anderson usava a fé como escudo. Ele foi apresentado como o primeiro pré-candidato a deputado estadual do partido para as eleições de 2026 em um evento oficial. A intimidade política do grupo está documentada: vídeos mostram o foragido orando e “abençoando” Maria do Carmo no palco, acompanhado pelo presidente do PL Amazonas, Alfredo Nascimento. Publicações apagadas do partido mostravam a celebração desse grupo como um “time formado para mudar o Amazonas”.

Engrenagem do Crime contra Servidores

Enquanto promovia uma imagem ilibada, Anderson operava um esquema focado em servidores públicos. A quadrilha utilizava portais da transparência para captar dados e atrair vítimas com promessas de empréstimos consignados pela G.A Veículos.

Funcionamento do esquema:

  • A Isca: Convence a vítima a contrair um grande empréstimo e transferir o valor total para a empresa;
  • A Promessa: A organização garante o pagamento das parcelas e promete um “lucro” extra;
  • O Calote: Após as primeiras parcelas, os repasses são cortados, deixando os servidores com dívidas impagáveis.

Incoerências da “Bancada da Bala”

A crise moral reside na seletividade da indignação. Recentemente, Maria do Carmo exigiu explicações sobre as associações de seus adversários, defendendo que um líder deve ser responsabilizado pelos crimes de seus aliados. Porém, diante do indiciamento de seu “pastor” por estelionato e organização criminosa, o PL-AM limitou-se a uma nota de expulsão sem um clamor público significativo.

A proximidade do Delegado Costa e Silva com Anderson Bandeira levanta questionamentos sobre a vigilância seletiva da “bancada da bala”, que parece ter mais fúria contra opositores do que em relação a aliados.

Sombras sobre a “Bancada da Bala”

Ademais do escândalo da pirâmide, recentemente um vídeo póstumo revelou acusações contra figuras como o Sargento Salazar e o Capitão Alberto Neto, relacionados a esquemas de extorsão e comércio ilegal de ouro. Este contexto evidencia a fragilidade do discurso moral do PL-AM, que agora enfrenta a realidade de que seu entusiasta religioso é um foragido.

Resultados da Operação e Denúncias

A Operação Negócio Turvo cumpriu 12 mandados de busca e apreensão, resultando na apreensão de cerca de 30 veículos, armas e documentos. Oito pessoas foram presas, mas os líderes do crime permanecem foragidos.

Os Foragidos:

  • Anderson Ricardo Lima dos Santos (Anderson Bandeira)
  • Carlos Augusto da Silva Freitas
  • Emanuelle Rosa Ramos dos Santos

A PC-AM solicita que qualquer informação sobre o paradeiro dos citados seja repassada de forma anônima pelo telefone (92) 3667-7788 ou pelo 181.

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