O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (26) que a direita brasileira deve chegar unificada à disputa presidencial de 2026 e que o nome do candidato do campo conservador poderá ser definido entre janeiro e março do ano que vem. A fala ocorreu durante o UBS WM Latin America Summit, evento voltado ao setor empresarial promovido pelo banco suíço Union Bank of Switzerland, em São Paulo.
Foi a primeira manifestação pública do governador sobre o cenário eleitoral após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ocorrida neste mês. Sem descartar nem confirmar sua própria candidatura, Tarcísio adotou um tom de pré-campanha ao afirmar que “não há motivo para ansiedade” e que o processo de reorganização da direita já está em andamento nos bastidores.
“Esse campo da direita vai apresentar um projeto para o Brasil. Esse projeto será vencedor no ano que vem. Não tenham dúvida: nós vamos livrar o Brasil do PT”, declarou.
Segundo o governador, a união da direita se dará em torno de um programa com pilares liberais, conservadores e de desburocratização, com foco na redução do peso estatal, estímulo ao trabalho e maior autonomia econômica dos brasileiros. Ele enfatizou que “a sociedade brasileira é conservadora” e que o alinhamento das lideranças do setor é apenas uma questão de tempo.
Respeito à liderança de Bolsonaro
Tarcísio evitou se colocar abertamente como sucessor político de Bolsonaro, mas reforçou que qualquer articulação para escolher um candidato precisa considerar o papel central do ex-presidente na mobilização da direita.
O governador afirmou que Bolsonaro “precisa ser respeitado” e que sua liderança será essencial para pacificar divergências internas e consolidar apoio em torno de um único nome.
“Tem um respeito pela liderança que o Bolsonaro construiu ao longo dos anos. Ele precisa ser respeitado pra poder contar com esse capital político”, disse.
“As peças já estão sendo montadas. Vai ter a hora certa. Pode ser janeiro, fevereiro ou março — e vai dar tempo.”
Nos bastidores, a declaração foi interpretada como mais um sinal de que Tarcísio mantém aberta a possibilidade de ser candidato, mas aguarda uma decisão definitiva do entorno bolsonarista.
Defesa das privatizações
Durante sua participação no fórum, Tarcísio também voltou a defender o modelo de privatizações e concessões adotado em São Paulo. O governador argumentou que o setor privado é mais eficiente do que o Estado em quase todas as áreas — uma visão já expressa em outros discursos e alinhada ao plano de governo que ele pretende apresentar como referência para o país.
“O setor privado faz quase tudo melhor que o Estado. Ao Estado cabe regular. O que a gente puder passar para o privado, nós vamos passar”, afirmou.
Ele citou parcerias público-privadas (PPPs) na educação e concessões de infraestrutura como exemplos de resultados positivos obtidos em sua gestão.
Clima de pré-campanha
A fala de Tarcísio ocorre em um momento de reorganização da direita após a prisão de Bolsonaro, que ainda não definiu seu papel no processo eleitoral de 2026. Aliados avaliam que o governador paulista desponta como nome natural do campo conservador, mas que o timing da decisão dependerá da capacidade de reconstrução do bloco.
Enquanto isso, Tarcísio segue tentando se posicionar como liderança moderada e viável, capaz de unir diferentes correntes da direita — dos bolsonaristas mais radicais ao empresariado liberal.