Manaus – O incidente de intimidação contra a deputada estadual Alessandra Campelo, que ocorreu em um debate na TV Norte Amazonas, ganhou novos contornos com a defesa pública de seu irmão, Allan Campelo. O vereador só decidiu se manifestar sobre o episódio no dia 26 de outubro, depois do encerramento das eleições. Durante um discurso inflamado na Câmara Municipal de Manaus, ele se viu em uma posição de ‘valentão’, desafiando o ex-candidato Kidson Maia para um confronto físico.
Silêncio durante a crise
É curioso notar que, apesar de seu tom agressivo e da provocação aberta, Allan Campelo permaneceu em silêncio durante todo o período eleitoral. Entre os dias 14 e 23 de outubro, ele compareceu a diversas sessões ordinárias, mas não usou a tribuna para repudiar o ataque a Alessandra. A medida protetiva expedida pela Justiça para a segurança da deputada e a restrição de porte de armas contra Kidson e o Sargento Salazar apenas aumentaram a gravidade da situação. Enquanto isso, Allan manteve um silêncio que agora gera questionamentos nos bastidores políticos de Manaus.
Esse comportamento levanta a questão: por que o vereador escolheu o dia seguinte às eleições para se manifestar? Sua falta de posicionamento anterior sugere que a sua declaração após o resultado das urnas não é apenas uma defesa da irmã, mas também uma tentativa de se promover politicamente.
Desafio e provocações na Câmara
Durante seu pronunciamento na Câmara, Allan não hesitou em atacar seu rival, chamando-o de “tiktoker que quer ser político.” Essa ironia não passou despercebida, fazendo parte de uma estratégia para desestabilizar a imagem de Kidson. Ele exigiu esclarecimentos sobre os gestos intimidatórios feitos por Kidson e Sargento Salazar, direcionados a Alessandra, propondo um embate direto e desafiador nas ruas. Essa abordagem não apenas intensificou a rivalidade, mas também trouxe à tona a questão da ética política e do comportamento dos parlamentares.
Allan foi mais além, estabelecendo um “imperativo” para o confronto: que Kidson deixasse, literalmente, a arma em casa. Ele declarou confiante: “Com cinco minutos, se eu, com 55 anos, não fizer você chamar ‘mamãe’, eu dou como perdido”. Essa declaração exaltada revela a falta de uma postura madura diante de uma situação já carregada de tensão, questionando a responsabilidade de um vereador em um ambiente que deveria priorizar o debate e não a violência.
Consequências da manifestação pós-eleitoral
A agressividade de Allan pós-eleições não é um ato isolado, mas uma continuação de um clima político conturbado. O fato de se manifestar apenas após as eleições gera suspeitas sobre suas reais intenções. A capital amazonense vive um momento crítico em termos de ética política e o desafio que Allan lançou, insistentemente no âmbito do físico, pode ser visto como uma tentativa de distrair a população de questões mais sérias que afligem a política local. As consequências disso podem ser profundas, pois a polarização política se acirra enquanto os eleitores buscam por soluções mais racionais e justas para a governance da cidade.
Os bastidores políticos e as repercussões sociais desse evento continuarão a ser debatidos, e será essencial que os envolvidos reflitam sobre suas ações e as mensagens que transmitem à população. A dinâmica de confrontos físicos em vez de diálogos construtivos pode levar a um ambiente ainda mais tóxico e polarizado em Manaus. Portanto, o caminho para um debate saudável no cenário político deve ser reavaliado, priorizando sempre a palavra e a razão em detrimento de ações que incentivem a violência e a intimidação.

