A administração da prefeita Kátia Dantas Ribeiro (MDB), em Anamã, voltou ao centro das discussões após a divulgação de um contrato milionário que despertou revolta entre moradores e acendeu um alerta sobre a falta de transparência na gestão municipal. De acordo com informações publicadas no Diário Oficial dos Municípios (DOM), a Prefeitura autorizou o gasto de R$ 1.508.760,47 destinado à compra de materiais e equipamentos de informática, sem apresentar qualquer detalhamento mínimo que justificasse a necessidade da despesa.
O valor milionário está vinculado ao Pregão Eletrônico nº 014/2025, um procedimento que, em tese, deveria servir apenas para registrar preços e permitir futuras aquisições conforme a demanda. No entanto, em vez de esclarecer quais setores seriam contemplados, quais itens seriam adquiridos ou qual a relevância do investimento para o município, o documento tornou o cenário ainda mais nebuloso, gerando mais questionamentos do que respostas.
A publicação não apresenta lista de produtos, estudo técnico, estimativa de consumo, plano de modernização ou sequer uma justificativa administrativa para a compra. O que há, de forma clara, é apenas o valor aprovado — superior a R$ 1,5 milhão — liberado diretamente pela prefeita sem qualquer explicação pública que acompanhe a movimentação financeira.
Outro ponto de estranhamento está na distribuição dos recursos. Praticamente todo o montante ficou concentrado em uma única empresa, a A K C Barbosa LTDA, inscrita no CNPJ 10.600.712/0001-03. Só ela recebeu R$ 1.391.869,95. O repasse expressivo, sem detalhamento que permita avaliar a compatibilidade dos preços com o mercado ou a real urgência da aquisição, reforça as suspeitas levantadas por moradores, especialistas e observadores da gestão municipal.
Em uma cidade que enfrenta dificuldades estruturais e carece de investimentos básicos, a decisão de destinar cifras tão altas a uma compra de informática sem apresentar informações essenciais gera indignação crescente. Moradores questionam: por que um investimento tão volumoso? Para quais setores os equipamentos foram destinados? Há demanda comprovada para tal gasto? Onde está a lista dos itens adquiridos? Até o momento, nenhuma dessas perguntas foi respondida pela prefeita ou por sua equipe.
A falta de transparência em uma movimentação financeira desse porte impede que a população acompanhe o uso do dinheiro público e mina a confiança na administração municipal. Enquanto o contrato segue aprovado, o recurso empenhado e os valores já encaminhados à empresa contratada, a população permanece no escuro — sem saber o que exatamente foi comprado, por que foi comprado e quais benefícios concretos esse investimento trará para Anamã.