Defesa atribui dano à tornozeleira de Bolsonaro a surto emocional e crise de ansiedade

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou, neste sábado (22), que o dano causado à tornozeleira eletrônica durante a madrugada teria ocorrido em meio a um “surto emocional”. Segundo relatos apresentados aos investigadores e versões compartilhadas por aliados próximos, o ex-mandatário enfrenta um período de forte instabilidade emocional, marcado por crises de ansiedade e uso contínuo de medicamentos, o que teria contribuído para o episódio.

De acordo com os advogados, Bolsonaro utilizou um ferro de solda para queimar e danificar o equipamento de monitoramento, que registrou a violação por volta das 00h07. O alerta acionou imediatamente equipes responsáveis pelo acompanhamento da prisão domiciliar. Agentes se deslocaram até a residência do ex-presidente, realizaram uma inspeção preliminar e substituíram a tornozeleira ainda durante a madrugada.

A defesa relatou que, horas antes da ocorrência, Bolsonaro estava reunido com familiares e já demonstrava sinais de desgaste emocional, irritabilidade e fragilidade física. Para os advogados, o comportamento reforça a tese de que o ato não teria sido premeditado, mas sim resultado de um descontrole momentâneo, agravado pelo contexto de alta pressão psicológica que o ex-presidente vem enfrentando.

A Seape-DF divulgou, na manhã deste sábado, imagens que mostram a tornozeleira parcialmente derretida e com marcas de queimadura, confirmando o dano provocado pelo ferro de solda. O equipamento passa agora por perícia, e o vídeo deve ser anexado aos autos da investigação. Com a constatação da tentativa de violação, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a prisão preventiva de Bolsonaro.

Equipes da Polícia Federal chegaram à residência do ex-presidente por volta das 5h e cumpriram a ordem de forma imediata. No local, a tornozeleira danificada foi retirada, e Bolsonaro foi conduzido à Superintendência da PF em Brasília. Ele agora ocupa uma sala de Estado, espaço especial destinado a autoridades, equipada com cama, televisão, ar-condicionado e frigobar. O ex-presidente permanecerá no local até a audiência de custódia marcada para este domingo (23), quando sua defesa tentará reverter a prisão preventiva.

A situação provocou forte reação entre aliados políticos, que demonstram preocupação com o equilíbrio emocional de Bolsonaro e temem novos episódios inesperados. Diante do cenário, familiares decidiram que Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro serão os principais porta-vozes durante o período de encarceramento, evitando sobrecarga emocional no ex-presidente.

O caso repercute intensamente no cenário político nacional e promete novos desdobramentos após a audiência de custódia. Parlamentares governistas e oposicionistas já se articulam para explorar o impacto político da prisão preventiva, que reacende debates sobre conduta, responsabilidade e estabilidade emocional de autoridades sob investigação.

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