Suspensão de tarifa nos EUA impulsiona exportações brasileiras de carne e café e reforça balança comercial

A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar a taxa de 40% aplicada sobre a carne bovina e o café brasileiros abriu caminho para uma nova onda de competitividade no setor exportador do país. A medida, anunciada nesta semana, é celebrada por analistas e representantes das cadeias produtivas, que veem no fim do tarifaço uma oportunidade de expansão das vendas externas e de fortalecimento da balança comercial. Contudo, especialistas reforçam que o impacto imediato para o consumidor brasileiro tende a ser discreto.

Durante o período em que as tarifas estiveram em vigor, exportadores nacionais se adaptaram rapidamente, redirecionando produtos para mercados já consolidados, como China, México e Chile. Essa redistribuição impediu uma redução expressiva dos preços internos, mantendo a estabilidade no varejo. Agora, mesmo com a reabertura do mercado americano, a expectativa é de que o movimento seja gradual, sem efeito imediato sobre o bolso do consumidor.

Economistas projetam que eventuais aumentos no preço da carne e do café possam ocorrer apenas a partir de meados de 2026, caso as exportações para os EUA se intensifiquem. Ainda assim, as projeções de inflação seguem sem alterações, indicando que possíveis ajustes não devem gerar pressão significativa sobre o IPCA. O elevado endividamento das famílias brasileiras também atua como freio para aumentos mais expressivos, limitando o repasse de custos ao consumo final.

No mercado futuro, os efeitos do anúncio foram sentidos de forma desigual. A arroba do boi gordo se valorizou na B3, passando de R$ 316 para uma abertura de R$ 320 e chegando a ultrapassar R$ 321 ao longo do pregão. Para Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea, a notícia trouxe “oxigenação” ao setor e renovou as expectativas dos pecuaristas. Já o economista Fabio Romão, da 4intelligence, alerta que a oferta reduzida — consequência de abates de matrizes em anos anteriores — deve continuar pressionando os preços da carne no médio prazo.

O movimento do café foi inverso. No mercado de Nova York, a cotação recuou de 376,75 para 362,45 centavos de dólar por libra-peso após o anúncio. Analistas interpretam essa retração como uma acomodação natural diante da nova perspectiva de fluxo comercial e maior disponibilidade global.

O impacto positivo para a economia brasileira, no entanto, é inegável. A expectativa é que o aumento das exportações injete mais dólares no país, fortalecendo o real e contribuindo para segurar o preço da moeda americana — fator que beneficia uma série de setores dependentes de importação. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) celebrou especialmente a decisão, observando que a manutenção das tarifas poderia acarretar perdas anuais de até US$ 3 bilhões. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também enalteceu o resultado, atribuindo-o a negociações técnicas e diplomáticas bem conduzidas.

Apesar dos avanços, o acordo não contemplou todos os produtos da cadeia. O café solúvel segue de fora da lista de isenções e continua submetido à taxação. O Cecafé afirma que mantém tratativas para reverter a situação, destacando que o segmento é altamente empregador e agrega maior valor ao produto final, tornando sua inclusão estratégica para o país.

O fim da tarifa de 40% marca um capítulo importante para o agronegócio brasileiro, que volta a ganhar espaço no maior mercado consumidor do mundo. O desafio agora é transformar essa abertura em ganhos sustentáveis, sem provocar desequilíbrios no mercado interno.

Rolar para cima