Exoneração de Joana Darc expõe crise interna no União Brasil e abala base de Wilson Lima

O rompimento abrupto entre o governador Wilson Lima (União Brasil) e a deputada estadual licenciada Joana Darc surpreendeu até mesmo figuras próximas do Executivo. A exoneração da parlamentar do comando da recém-criada Secretaria de Proteção Animal do Amazonas (Sepet), publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (17), foi interpretada por aliados como uma clara demonstração de desgaste político e perda de confiança dentro da base governista.

Joana Darc permaneceu pouco mais de um mês à frente da Sepet, período marcado por turbulências, indefinições administrativas e sucessivas trocas internas. Em vez de se firmar como vitrine política — especialmente por ela ser uma defensora pública e histórica da causa animal — a pasta acabou se tornando palco de disputas de bastidor, falta de alinhamento interno e ausência de avanços concretos. A saída repentina evidencia que o projeto não se consolidou e que o governador já buscava reorganizar o comando antes mesmo de apresentar resultados.

O retorno imediato da deputada à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) desencadeou uma reorganização legislativa que expôs ainda mais o racha dentro do União Brasil. Com a volta de Joana, a vereadora Professora Jacqueline deixa a Aleam e assume novamente sua cadeira na Câmara Municipal de Manaus, levando consigo Amauri Gomes, suplente que mais uma vez perde o mandato. Nos corredores do Legislativo, a avaliação é quase unânime: Amauri virou um “peão sacrificado” em um movimento estratégico articulado por lideranças que tentam preservar equilíbrio e influência dentro do partido — mas acabam alimentando a percepção de instabilidade.

Horíss após a exoneração, Joana Darc publicou uma frase enigmática nas redes sociais: “Se soubéssemos o que é dito na nossa ausência, não sorriríamos para tanta gente.” A mensagem caiu como uma bomba no meio político, sendo interpretada como um recado direto ao Governo do Estado. Assessores próximos afirmam que Joana esperava maior autonomia e apoio na condução da Sepet, e que sua saída repentina foi recebida como uma quebra de confiança difícil de disfarçar. Internamente, comenta-se que a deputada viu sua exoneração como resultado de pressões políticas e disputas internas por espaço, especialmente entre alas que disputam influência sobre o governador.

A criação da Sepet — inicialmente celebrada como uma grande aposta política e administrativa — agora passa a ser encarada como mais um foco de instabilidade. Em pouco mais de 30 dias, a pasta já está em seu segundo comando. O novo responsável é Edgar Duarte Nogueira, ex-secretário-executivo da estrutura. No entanto, sua nomeação também levanta questionamentos: ele é apontado como aliado próximo do marido de Joana, Aldenor Lima, e aparece como doador de R$ 6 mil para a campanha eleitoral dele em 2024. O cenário reforça a percepção de que a secretaria, longe de nascer com autonomia técnica, se transformou rapidamente em terreno disputado por interesses políticos entrelaçados.

Nos bastidores, a exoneração de Joana acende um alerta maior: o União Brasil enfrenta dificuldades crescentes para manter coesão no Amazonas. As trocas constantes, os recados velados e os movimentos articulados sem consenso expõem fissuras que comprometem a imagem de estabilidade da base de Wilson Lima. Para aliados mais próximos, o episódio revela que o governador vive uma fase de tensão interna e está cada vez mais cercado por disputas entre grupos que buscam protagonismo no segundo escalão do Executivo e na montagem de alianças para 2026.

Enquanto o governo não apresenta explicações formais para a saída da deputada, o desgaste político já se consolidou — e pode impactar diretamente o equilíbrio da base governista nos próximos meses.

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